Quem pesquisa Metabase em português costuma sair com duas informações: que ele é gratuito e open source, e um passo a passo para subir um contêiner. As duas estão certas. O que quase nunca aparece é o resto da conta: quanto custam os planos pagos, como eles se chamam e, principalmente, o que a versão gratuita não faz.
Este guia preenche essa lacuna com a documentação oficial na mão. Explica o que é a ferramenta e como ela funciona, mostra os quatro planos com preço, detalha a permissão por linha e coluna (o recurso que mais muda o projeto e que só existe no Pro), resume o que o Metabase 64 trouxe em outubro de 2026 e termina com um critério simples para saber qual degrau o seu caso pede.
O que é o Metabase?
O Metabase é uma ferramenta de business intelligence (BI) que conecta ao seu banco de dados e transforma tabelas em perguntas, gráficos e painéis. A proposta é que gente sem SQL consiga explorar dados clicando, enquanto o analista que sabe SQL escreve a consulta na mão no mesmo lugar.
Na prática, ele ocupa o espaço entre a planilha exportada toda segunda-feira e uma plataforma corporativa de BI. Uma empresa conecta o banco do ERP, do e-commerce ou do CRM, monta meia dúzia de painéis e passa a acompanhar vendas, estoque ou funil sem pedir relatório para a TI.
Ele existe em duas formas: auto-hospedado, quando você instala e mantém o servidor, e Metabase Cloud, quando a própria empresa hospeda, faz backup e atualiza por você. A edição Open Source só existe na primeira forma.
Como o Metabase funciona por dentro?
Vale entender três peças antes de falar de preço, porque o custo e o risco moram nelas:
- As fontes de dados. São os bancos que você conecta (Postgres, MySQL, SQL Server, BigQuery e outros). Em regra, cada pergunta vira uma consulta ao banco de origem, em vez de uma cópia dos dados guardada dentro da ferramenta.
- O banco de aplicação. É onde o próprio Metabase guarda usuários, perguntas, painéis, coleções e permissões. Por padrão ele vem com um banco embutido (H2), que a documentação diz não servir para produção.
- Perguntas, painéis e coleções. A pergunta é a unidade (uma consulta salva com sua visualização), o painel junta perguntas e a coleção é a pasta que organiza tudo e define quem pode abrir o quê.
A documentação de Docker é direta sobre o banco embutido: se o contêiner for removido, perguntas, painéis e coleções vão junto. Por isso a instalação de produção pede um banco de aplicação separado, normalmente Postgres. É o primeiro custo escondido do "gratuito": alguém precisa manter esse banco e o backup dele.
O Metabase é gratuito?
Sim, existe uma edição gratuita de verdade. A página de preços oficial lista o Open Source sem custo e com usuários ilimitados, com perguntas e painéis ilimitados, mais de 20 fontes de dados, editor SQL, exploração por cliques, servidor MCP e perguntas em linguagem natural usando o modelo de IA que você conectar.
Gratuito, aqui, quer dizer sem licença a pagar. Não quer dizer sem custo. Você paga o servidor, o banco de aplicação, o backup e as horas de quem atualiza a versão e responde quando algo cai. Para uma empresa com alguém de TI à mão, isso é pouco; para uma equipe de marketing sem esse apoio, costuma ser o motivo de o projeto parar no terceiro mês (essa é a nossa leitura de projetos de BI, não um dado medido).
Há também a licença. O Open Source é distribuído sob a AGPL, uma licença de software livre que impõe obrigações a quem distribui ou embute o código em outro produto. Para uso interno, num painel que só a sua equipe abre, ela raramente pesa. Para embutir painéis no sistema que você vende, pesa, e há uma seção sobre isso mais abaixo.
Quanto custa o Metabase em cada plano?
São quatro degraus. Os preços abaixo são os da página oficial em dólar, sem impostos, consultados em 22 de outubro de 2026:
| Open Source | Starter | Pro | Enterprise | |
|---|---|---|---|---|
| Preço | Grátis | US$ 100/mês | US$ 575/mês | Sob consulta (a partir de US$ 20 mil/ano) |
| Usuários incluídos | Ilimitados | 5 (+ US$ 6 cada) | 10 (+ US$ 12 cada) | Negociado |
| Onde roda | No seu servidor | Só no Metabase Cloud | Cloud ou seu servidor | Cloud, seu servidor ou air gap |
| Permissão por linha e coluna | Não | Não | Sim | Sim |
| SSO e 2FA obrigatório | Não | Não | Sim | Sim |
| Hospedagem, backup e atualização | Por sua conta | Pela Metabase | Pela Metabase na nuvem, sua no servidor próprio | Idem ao Pro, com engenheiro dedicado e SLA de 1 dia |
Elaborado pela Alliance Comunicação a partir da página de preços do Metabase, consultada em 22/10/2026.
Três detalhes da página mudam a conta. O pagamento anual sai cerca de 10% mais barato (US$ 1.080 por ano no Starter e US$ 6.210 no Pro). Conta como usuário todo mundo que faz login, inclusive quem acessa painéis embutidos no seu produto. E, segundo a própria Metabase, Pro e Enterprise têm exatamente os mesmos recursos: o que muda é suporte, contrato, forma de cobrança e a opção de rodar sem acesso à internet.
Repare que o Starter não aparece na opção auto-hospedada da página de preços: ele é um plano de nuvem. Quem quer manter o servidor próprio vai do Open Source direto para o Pro.
O que a versão gratuita do Metabase não faz?
A lista completa de recursos pagos é longa, mas quatro itens decidem a maioria dos projetos:
- Permissão de visualização de dados. A documentação de permissões diz que, no Open Source, a configuração "View data" fica fixa em "Can view" e nem aparece na tela. Não há como bloquear uma tabela para um grupo nem filtrar linhas por pessoa.
- Segurança por linha e coluna. É a que faz cada vendedor ver só os seus clientes e cada cliente ver só os próprios pedidos. Só no Pro e no Enterprise.
- SSO, 2FA obrigatório e lista de IPs. Login único com o provedor de identidade da empresa e a exigência de segundo fator para todos ficam no Pro. A lista de IPs permitidos, no Pro em nuvem.
- Controle de download e auditoria. Limitar quantas linhas cada grupo pode baixar e ver quem consultou o quê também são recursos pagos.
No gratuito, o controle de acesso é feito pelas permissões de coleção (quem abre quais perguntas e painéis) e pela permissão de criar consultas, que a documentação de permissões de dados não marca como exclusiva dos planos pagos. Funciona bem quando todo mundo que entra pode ver todos os dados conectados. Deixa de funcionar no dia em que alguém não pode.
Como funciona a segurança por linha e coluna?
A segurança por linha e coluna (o nome antigo era data sandboxing) troca a tabela original por uma versão filtrada para um grupo, em todo lugar do Metabase onde aquela tabela aparece. O filtro vem de um atributo do usuário: um par chave-valor gravado no cadastro de cada pessoa, como região = Sul ou cliente_id = 482.
Há dois jeitos de montar a regra. O simples filtra por uma coluna da tabela. O personalizado usa uma pergunta em SQL salva numa coleção só de administradores, e permite filtrar por várias colunas, esconder colunas ou mostrar uma coluna editada (um e-mail truncado, por exemplo).
A documentação traz quatro cuidados que valem para qualquer projeto:
- O valor do atributo tem de bater exatamente, inclusive maiúscula e minúscula. "sul" no cadastro e "Sul" na tabela devolvem resultado vazio.
- Cada pessoa cabe em no máximo uma regra por tabela. Grupos sobrepostos geram conflito.
- O editor SQL fica bloqueado para o grupo em todo o banco que tenha uma tabela com essa regra, porque o Metabase não consegue garantir o que uma consulta livre vai ler.
- Compartilhamento fura a regra. Um link público, um alerta ou uma assinatura de painel criados por alguém de grupo sem restrição podem expor a coluna que você escondeu.
É o mesmo problema que tratamos no artigo sobre o que cada vendedor vê no dashboard de vendas: a decisão de quem vê cada linha vem antes da escolha da ferramenta, e muda o orçamento.
O que mudou com o Metabase 64?
A versão 64, publicada em 15 de outubro de 2026, é uma versão de suporte estendido (LTS) dedicada ao endurecimento de segurança. Para quem está escolhendo plano agora, as mudanças se dividem em duas listas.
Para todos os planos, inclusive o Open Source
- Validação mais rígida das partes de uma consulta que o usuário influencia, para que filtros e parâmetros cheguem ao banco como dado e não como SQL.
- Checagem de permissão em todas as etapas: para rodar uma pergunta é preciso ter acesso a tudo em que ela se apoia, até o fim da cadeia.
- Links públicos e embeds enviam só o dado necessário para desenhar o que foi compartilhado.
- Servidor MCP ampliado, que deixa um assistente de IA consultar e criar conteúdo no Metabase com as permissões de quem conectou.
- Metabot, o assistente interno, rodando com o provedor de IA que você escolher, inclusive um modelo hospedado por você.
Só para Pro e Enterprise
A exigência de 2FA para todos que entram com senha ou LDAP, com prazo de carência configurável, ficou restrita ao Pro e ao Enterprise. A lista de IPs permitidos chegou para o Pro no Metabase Cloud. A notícia boa para o gratuito é que o MCP e a IA com qualquer modelo deixaram de ser argumento para pagar; a notícia menos boa é que a separação de quem vê o quê continua onde estava.
A mesma nota avisa que a versão 64 traz mudanças que podem quebrar integrações: chamadas à API fora do uso documentado deixam de ser aceitas, e uma pergunta passa a mostrar erro se a pessoa não puder ver o modelo ou a métrica de que ela depende. Vale testar antes de atualizar uma instância em uso.
Posso embutir painéis do Metabase no meu sistema?
Pode, mas é aqui que a licença entra na conta. A página de licenças do Metabase lista três caminhos para embutir painéis por iframe a partir do Open Source:
- Cumprir a AGPL, com as obrigações que ela traz para o software que embute o código.
- Aceitar a Embedding License, que exige manter o selo "Powered by Metabase" nos painéis e perguntas embutidos.
- Comprar uma licença comercial, que é o que libera os recursos pagos.
A mesma página avisa que o código da edição Enterprise é aberto para leitura, mas que nenhum recurso dela pode ser usado sem a licença comercial. E a página de preços lembra que, no embed, cada cliente que faz login conta como usuário. Quem pretende mostrar painel a 200 clientes deve fazer essa conta antes, não depois.
Para o caso mais comum, o portal do cliente em que cada empresa vê só os próprios dados, a combinação é sempre a mesma: embed com segurança por linha. Ou seja, Pro.
Como instalar e rodar o Metabase?
A documentação recomenda a nuvem e, para quem vai auto-hospedar, o Docker no lugar do arquivo JAR. Os três caminhos, em resumo:
1. Testar no próprio computador, inclusive no Windows
O Metabase roda onde rodar o Java 25 (versões anteriores não são suportadas). Basta baixar o JAR da edição Open Source, colocá-lo numa pasta nova e executá-lo pelo terminal; quando o log mostrar "Metabase Initialization Complete", a configuração abre em localhost:3000. Serve para conhecer a ferramenta, não para a empresa usar.
2. Rodar no Docker
Com o Docker instalado, um comando baixa a imagem oficial e outro sobe o contêiner na porta 3000. Para produção, o mesmo comando recebe as variáveis de conexão com um banco de aplicação externo (Postgres, no exemplo oficial), senão os painéis somem com o contêiner.
3. Atualizar sem perder o trabalho
No servidor próprio, a receita oficial tem dois passos: fazer backup do banco de aplicação e trocar a imagem ou o JAR pela versão nova; a migração roda sozinha na inicialização. Quem está numa versão anterior à 40 precisa subir de versão em versão até ela. No Metabase Cloud, a atualização é automática.
O passo a passo detalhado está na documentação oficial e muda a cada versão; o que não muda é a decisão de fundo: quem na sua empresa vai ser o dono desse servidor daqui a um ano.
Quando o gratuito basta e quando o Pro é obrigatório?
Juntando preço, permissão e licença, dá para resumir a escolha em quatro situações típicas:
| Situação | Plano que costuma resolver | Por quê |
|---|---|---|
| Time pequeno de análise, todos podem ver todos os dados | Open Source | Sem limite de usuários e com IA e MCP; o custo é manter o servidor |
| Mesmo time, sem ninguém para cuidar do servidor | Starter | Hospedagem, backup e atualização ficam com a Metabase |
| Vendedores, lojas ou franquias que não podem ver os números uns dos outros | Pro | Só ele tem segurança por linha e coluna |
| Portal em que cada cliente vê só os próprios dados | Pro | Embed multi-cliente com filtro por linha e sem o selo obrigatório |
| Ambiente regulado, sem internet ou com processo formal de contratação | Enterprise | Mesmos recursos do Pro, com air gap, SLA e apoio na contratação |
Elaborado pela Alliance Comunicação a partir da página de preços e da documentação do Metabase.
Se a sua dúvida é entre ferramentas e não entre planos, vale comparar com o caminho do Google, que tem outro tipo de teto: o artigo sobre onde o Looker Studio gratuito trava mostra esse limite, e o de quem paga para ver o painel no Power BI faz a mesma conta na Microsoft.
Quais os erros mais comuns ao adotar o Metabase?
- Escolher pelo "é grátis" antes de mapear quem vê o quê. O projeto nasce no Open Source, ganha usuários de fora do time e esbarra na falta de permissão por linha quando já há dezenas de painéis prontos.
- Ir para produção com o banco embutido. A própria documentação avisa que ele não serve para isso; uma remoção de contêiner apaga o trabalho.
- Pagar o Starter esperando separar dados. Ele compra hospedagem e suporte, com as mesmas permissões do gratuito.
- Duplicar painéis por pessoa para contornar a permissão. Funciona com três vendedores e vira manutenção impossível com trinta (opinião nossa, de quem já desfez esse arranjo).
- Esquecer que usuário de embed é usuário pago. No Pro, cada cliente que faz login no portal entra na conta dos US$ 12.
- Atualizar sem backup. A migração é automática, mas voltar para a versão anterior depois de uma atualização grande tem como caminho mais seguro restaurar o backup do banco de aplicação.
Por onde começar hoje?
- Liste os três painéis que mais fazem falta hoje e quem precisa abrir cada um.
- Faça o teste do destaque acima: alguém nessa lista não pode ver alguma linha? A resposta define se você está no gratuito ou no Pro.
- Decida quem vai manter o servidor. Se não houver ninguém, a comparação real é Starter contra Pro, não gratuito contra pago.
- Se for embutir painéis para clientes, conte quantos vão fazer login e simule o custo por usuário.
- Monte uma prova de conceito de duas semanas com dados reais (o teste gratuito do Starter e do Pro é de 14 dias) antes de migrar relatórios.
Ferramenta de BI resolve o "como mostrar". Antes dela vem o "o que medir", e é aí que a maior parte dos painéis falha. Se quiser ajuda nas duas pontas, o trabalho de BI e dashboards da Alliance começa pelos indicadores e só depois escolhe a ferramenta; e o diagnóstico de marketing gratuito mostra, em poucos minutos, em que ponto estão os seus dados e a sua mensuração.

