Quem procura “Windsurf AI” hoje encontra, nos primeiros resultados em português, a descrição de uma ferramenta que já não existe do mesmo jeito: créditos de prompt, plano Teams a US$ 30, SSO no pacote de equipe e o Cascade como agente principal. Tudo isso mudou entre julho de 2025 e julho de 2026 — de dono, de modelo de cobrança, de nome e de agente.
Este guia é para quem já usa o editor ou está decidindo se assina. Ele explica o que o Windsurf é agora, quanto custa cada plano na tabela atual, quem ficou com o preço antigo congelado, o que o administrador perdeu no plano Teams e o que migrar antes que o agente antigo saia de vez do caminho.
O que é o Windsurf AI?
O Windsurf é um IDE com agentes de IA embutidos: um editor de código derivado do VS Code em que a IA não só completa a linha, mas lê o projeto, propõe um plano, edita vários arquivos e roda comandos no terminal. Durante 2025 ele ficou conhecido pelo Cascade, o agente que conversava com o desenvolvedor dentro do editor.
Desde 2 de junho de 2026, o Windsurf se chama Devin Desktop. Segundo a Cognition, é o mesmo IDE, o mesmo editor e os mesmos recursos, agora sob a marca Devin. A mudança chegou como atualização automática, e as configurações do Windsurf foram levadas para o novo aplicativo. Por isso o nome antigo ainda aparece no endereço de login, no painel de assinatura e em parte da documentação.
Na prática, quem abre o Devin Desktop encontra duas camadas. A primeira, que agora é a tela principal, é o Agent Command Center, com espaços, visão em kanban e gestão de vários agentes ao mesmo tempo. A segunda é o editor clássico do Windsurf — extensões, atalhos, fluxos e servidores de linguagem —, que continua lá e acessível.
Quem comprou o Windsurf e por que o nome mudou?
A compradora foi a Cognition, empresa que desenvolve o Devin, um agente autônomo de engenharia de software. O anúncio foi publicado pelo CEO, Scott Wu, em texto no blog da Cognition em 14 de julho de 2025.
A troca de nome veio quase um ano depois. A explicação oficial, no FAQ do Devin Desktop, é que a empresa decidiu unificar os produtos sob uma marca só: Devin Cloud, Devin Desktop, Devin CLI e Devin Review. A aposta declarada é que o trabalho do desenvolvedor passa a ser coordenar equipes de agentes, locais e na nuvem, e que o desktop é a central de comando disso.
Para quem usa, a consequência prática é que o Windsurf deixou de ser um produto isolado e virou a porta de entrada de uma plataforma maior. O plano Pro atual, por exemplo, já inclui acesso aos agentes em nuvem (Devin Cloud), o que não fazia parte da proposta original do editor.
Quanto custa o Windsurf AI hoje?
A tabela em vigor, publicada na página de planos da Devin e consultada em 22 de outubro de 2026, tem quatro planos com preço aberto e um sob consulta. Os valores são em dólar e cobrados por mês.
| Plano | Preço | O que inclui | Para quem faz sentido |
|---|---|---|---|
| Free | US$ 0 | Cota leve para usar agentes, modelos limitados, edições inline e autocompletar (Tab) ilimitados | Testar o editor ou programar de vez em quando |
| Pro | US$ 20/mês | Cota maior, modelos de ponta de vários fornecedores, uso livre do SWE-2, acesso ao Devin Cloud e compra de uso extra | Desenvolvedor individual que usa agente todo dia |
| Max | US$ 200/mês | Tudo do Pro, com cota significativamente maior | Quem estoura a cota do Pro com frequência |
| Teams | US$ 80/mês + US$ 40 por assento completo | Até 200 usuários, cobrança centralizada, painel de administração com análises e suporte prioritário | Equipe que precisa de gestão de assentos, sem exigência de SSO |
| Enterprise | Sob consulta | SSO SAML/OIDC, controles centralizados, opção de implantação em nuvem privada (VPC) e conta dedicada | Empresa com política de identidade, auditoria ou dados sensíveis |
Devin — Plans and Pricing (devin.ai/pricing), consultado em 22/10/2026.
Dois detalhes passam despercebidos na leitura rápida. No Teams, o preço não é só por assento: há uma taxa fixa de US$ 80 pelo plano, e cada usuário completo custa mais US$ 40. É o assento completo que dá ao usuário a própria cota e o acesso ao Devin Desktop. Para uma equipe de cinco pessoas, a conta da tabela dá US$ 280 por mês.
O segundo detalhe é que nenhum plano pago é um teto. Quando a cota acaba, Pro, Teams e Max permitem comprar uso extra cobrado pelo preço de API do modelo escolhido. Quem orça a ferramenta só pelo preço do assento orça o piso, não o custo real.
Quem tem preço congelado e o que aconteceu com os créditos?
Em março de 2026 o editor abandonou os créditos de prompt e passou para um sistema de cota diária e semanal. A documentação de uso por cota descreve o que aconteceu com cada tipo de assinante na transição.
- Pro a US$ 15: o preço ficou congelado por tempo indeterminado. O assinante foi para o sistema de cota, mas manteve o valor antigo.
- Teams a US$ 30 por assento: o valor por assento de desenvolvedor também ficou congelado por tempo indeterminado.
- Créditos adicionais não usados: foram convertidos em saldo de uso extra na taxa paga. Como o crédito era vendido a US$ 0,04, cada 250 créditos viraram US$ 10 de saldo — e esse saldo pode ser reembolsado pelo suporte.
- Créditos de prompt do plano: deixaram de existir; a cota substitui o que vinha embutido na assinatura.
- Enterprise contratado e Enterprise Self-Serve: seguem nos acordos de cobrança que já tinham.
Todo assinante pago ganhou ainda uma semana extra na data de renovação para testar o novo modelo. Quem tinha plano anual e não gostou da troca podia pedir reembolso dos meses restantes, segundo a mesma página.
A consequência para o gestor é simples de enunciar e fácil de esquecer: o preço congelado vale para a assinatura que existe. Na nossa leitura, cancelar e reassinar, ou montar uma equipe nova, tende a cair na tabela atual — e, no caso do Teams, numa tabela que não tem mais SSO. Antes de mexer no plano, confirme com o suporte da Cognition o que acontece com o valor congelado.
Por que o SSO saiu do plano Teams e quando isso pesa?
A documentação é direta: os planos Teams novos não incluem SSO, que virou recurso exclusivo do Enterprise. Quem havia comprado o SSO como adicional no Teams antigo continua com ele dentro do plano congelado.
SSO é o login único pela conta corporativa (Google Workspace, Microsoft Entra, Okta e similares). Sem ele, cada desenvolvedor entra com credencial própria, e desligar o acesso de quem sai da empresa vira uma tarefa manual no painel da ferramenta, não um efeito automático do desligamento no diretório.
Isso pesa mais em três situações: quando a empresa tem rotatividade de terceirizados no time de desenvolvimento, quando passa por auditoria ou certificação que exige controle centralizado de identidade, e quando o código é de cliente sob contrato de confidencialidade. Para uma equipe pequena e estável, o Teams sem SSO pode bastar; para as outras, a conta real é a do Enterprise.
Como funciona a cota diária e semanal?
Cada plano tem um orçamento diário e um semanal que se renovam sozinhos pela data do calendário. O consumo é medido em tokens: quanto mais arquivos no contexto e mais longa a conversa, mais a requisição gasta. O custo por token muda conforme o modelo, e os modelos gratuitos não contam para a cota.
A cota diária é maior que um sétimo da semanal, de propósito: quem trabalha no fim de semana consegue usar a franquia inteira. Ao bater o limite, o plano Free espera a próxima renovação; os pagos podem comprar uso extra, cobrado pelo preço de API e encarecido por configurações de prioridade e velocidade, como as variantes rápidas de alguns modelos.
A própria documentação dá as dicas para a cota durar mais, e elas valem como política de equipe:
- Seja preciso no pedido e tire do contexto o que não importa.
- Use os modelos mais baratos da família SWE nas tarefas de rotina e guarde os modelos de ponta para o que exige raciocínio.
- Evite sessões longas quando um pedido curto resolve.
- Fique num modelo só durante a tarefa: pedidos ao mesmo modelo aproveitam cache e gastam menos tokens.
O que aconteceu com o Cascade e o que é o Devin Local?
O Cascade, agente local que fez a fama do Windsurf, foi substituído pelo Devin Local. O FAQ informava que o Cascade continuaria disponível até julho; na versão atual da documentação, conversas novas já não começam no Cascade, embora as antigas sigam acessíveis pelo histórico.
Segundo a documentação do Devin Local, o novo agente usa a mesma arquitetura do Devin CLI e, na maioria das tarefas, gasta até 30% menos tokens que o Cascade para chegar ao mesmo resultado. Ele também cria subagentes, roda em sandbox no nível do sistema operacional e trabalha em git worktree, sem tocar na pasta principal do projeto.
O que o Devin Local ainda não tem, pela lista oficial de limitações:
- Memórias entre sessões — precisam ser migradas para skills.
- Workflows do Cascade — também viram skills.
- App Deploys, o publicar com um clique.
- Arena Mode, a comparação lado a lado de modelos.
Há ainda uma mudança de comportamento que afeta segurança: diferente do Cascade, o Devin Local pede aprovação antes de chamar qualquer ferramenta MCP na configuração padrão. E o modelo de permissão mudou — saem os níveis de autoexecução do terminal, entram regras de negar, perguntar e permitir, configuráveis por projeto, usuário ou organização. Já tratamos desse tipo de decisão no post sobre as permissões que a empresa define para o Claude Code, e a lógica é a mesma.
Como migrar regras, memórias e configurações do Windsurf?
A Cognition levou as configurações do usuário para o Devin Desktop automaticamente. O que exige ação é o que mora no repositório, na política da máquina e no agente. A ordem abaixo segue o que a documentação descreve.
1. Regras do projeto: de .windsurf para .devin
O Devin Desktop continua lendo o arquivo .windsurfrules e a pasta .windsurf/rules/, mas a pasta preferida agora é .devin/rules/, que tem precedência quando as duas existem. Ele também lê AGENTS.md e importa regras do Cursor (.cursor/rules). Para evitar regra duplicada com instrução conflitante, escolha uma pasta e apague a outra.
2. Memórias e workflows: rode o assistente de migração
Como o Devin Local não guarda memórias nem executa workflows, o caminho oficial é o comando Devin: Open Cascade Migration Wizard, na paleta de comandos, que transforma os dois em skills. Revise o resultado: memória antiga costuma carregar decisão que já não vale.
3. Política de dispositivos e rede
O aplicativo mudou de nome no sistema: no Windows virou Devin.exe, no macOS Devin.app. A própria Cognition aponta isso como o item mais importante para TI: política de MDM que só libera “Windsurf” pode bloquear o aplicativo renomeado. Na rede, não houve mudança obrigatória, mas a documentação passou para docs.devin.ai, que pode precisar entrar na lista de domínios liberados.
4. Controles de administrador que não existem mais
Alguns controles do Enterprise legado não funcionam com o Devin Local, como restringir chamadas de ferramenta ao workspace e desligar o uso de ferramentas por completo. O equivalente é escrever uma política de permissões. Listas de comandos permitidos e proibidos no terminal ainda valem como reserva, mas só até a empresa configurar a política nova.
O Windsurf AI funciona com o VS Code?
Funciona de dois jeitos. O próprio Devin Desktop é derivado do VS Code: usa a mesma estrutura de configurações, atalhos e extensões, e a instalação oferece importar as configurações do VS Code ou do Cursor. Quem vem do VS Code reconhece a interface do editor de imediato.
O segundo jeito são os plugins, que levam o agente para dentro de outros editores, como VS Code e JetBrains. Aqui cabe um alerta: o plugin do Windsurf para JetBrains está em modo de manutenção, e o Cascade dentro dele está sendo descontinuado. A recomendação da Cognition para quem usa IntelliJ, PyCharm e afins é conectar o Devin pelo protocolo ACP.
Quais os erros mais comuns de quem já usa o Windsurf?
- Cancelar para reorganizar a conta e perder o preço de US$ 15 ou US$ 30 congelado.
- Montar um Teams novo contando com SSO, que hoje só existe no Enterprise.
- Orçar só o assento, sem prever o uso extra a preço de API quando a cota acaba.
- Deixar regras em .windsurf e .devin ao mesmo tempo, com instruções diferentes — a pasta .devin vence, e ninguém sabe por que o agente mudou de comportamento.
- Esquecer memórias e workflows do Cascade, que o Devin Local não lê sem a migração para skills.
- Não avisar a equipe de segurança sobre o novo nome do executável, e descobrir no dia da atualização que o editor foi bloqueado.
Vale adotar o Devin Desktop ou olhar alternativas?
Depende menos da ferramenta e mais de onde a empresa está. A tabela abaixo é a nossa leitura, como agência que desenvolve com IA, de como a decisão muda por perfil — é opinião, não regra de fornecedor.
| Situação | O que costuma fazer sentido | O que conferir antes |
|---|---|---|
| Já assina Pro a US$ 15 ou Teams a US$ 30 | Manter a assinatura e migrar regras e memórias | Se o time cresce, quanto custa cada assento novo |
| Equipe pequena, sem exigência de identidade | Teams atual ou Pro por pessoa | Taxa fixa de US$ 80 e consumo de uso extra |
| Empresa com auditoria, terceirizados ou código de cliente | Enterprise, ou ferramenta que dê SSO no plano contratado | SSO, controles centralizados e onde os dados ficam |
| Time que usa JetBrains | Devin pelo ACP, não o plugin antigo | Se o fluxo atual depende do Cascade no plugin |
| Ainda decidindo entre editores com IA | Testar no plano Free com um projeto real | Comparar política de permissões, não só o preço |
Leitura da Alliance Comunicação a partir da documentação e da tabela de preços da Cognition (outubro de 2026).
Se a decisão é entre editores, o critério que mais importa para empresa raramente é o modelo de IA, que muda todo trimestre. É o que o administrador controla: quem entra, o que o agente pode executar e quanto se gasta além do assento. Fizemos essa mesma análise para o que a empresa precisa ligar antes de liberar o Cursor e para o que o assento do GitHub Copilot não cobre.
Por onde começar hoje
- Descubra se o seu plano tem preço congelado e registre isso antes de qualquer mudança de conta.
- Liste quem precisa de SSO e decida se o Teams atual atende ou se a conversa é de Enterprise.
- Peça à TI para liberar o executável Devin na política de dispositivos.
- Rode o assistente de migração do Cascade e revise as skills geradas.
- Consolide as regras do projeto numa pasta só, de preferência .devin/rules.
- Defina a política de permissões do Devin Local, incluindo as ferramentas MCP liberadas por padrão.
- Acompanhe o uso extra no primeiro mês para saber o custo real por desenvolvedor.
Se a sua empresa quer usar agentes de programação sem perder o controle de custo e de acesso, esse é o tipo de projeto que fazemos no desenvolvimento assistido por IA da Alliance. E se o desafio é maior que a ferramenta, o diagnóstico de marketing gratuito mostra onde a tecnologia e a automação entram no seu plano.

