Quem pesquisa o Amazon Q Developer em português encontra, na maior parte dos casos, a documentação da própria AWS: correta, mas seca, sem preço e sem dizer o que acontece com quem usa o assistente no Visual Studio ou no Eclipse. Os guias que explicam a troca pelo Kiro estão em inglês, e vários circulam com preços antigos ou datas que a AWS não confirma.
Este artigo junta, em um lugar só, o que a empresa precisa para decidir: o que o Q Developer é, quanto custa, o que muda no modelo de cobrança quando o time passa para o Kiro, qual é o caminho de cada editor e quem, dentro da empresa, deve aprovar o uso além do plano. Todas as informações vêm das páginas oficiais da AWS e do Kiro, consultadas em 12/10/2026.
O que é o Amazon Q Developer?
O Amazon Q Developer é o assistente de IA generativa da AWS para quem desenvolve e opera aplicações. Segundo a documentação, ele roda sobre o Amazon Bedrock e responde perguntas sobre arquitetura, recursos da conta, boas práticas e documentação da AWS. Dentro do editor, conversa sobre o código, sugere a próxima linha enquanto a pessoa digita, gera código novo, procura vulnerabilidades e ajuda a atualizar versões de linguagem.
Ele aparece em vários lugares. Há o ícone do Q no console da AWS, no app móvel do console e no site de documentação; há a integração com Slack e Microsoft Teams; há os plugins de IDE para VS Code, IDEs da JetBrains, Visual Studio (dentro do AWS Toolkit) e Eclipse, este em versão prévia; e havia o Q Developer CLI, no terminal. É essa variedade que torna a mudança confusa: o aviso de fim de suporte não fala do produto inteiro, fala dos plugins de IDE.
O Amazon Q Developer vai acabar?
Os plugins de IDE, sim, e com data marcada. A página oficial é curta e direta:
Duas observações sobre o que essa página não diz. Ela não fala do Q no console da AWS nem das integrações com Slack e Teams; quem depende delas deve acompanhar a documentação, sem presumir nem que acabam nem que continuam. E ela não traz outras datas. Circulam em guias de terceiros prazos intermediários, como bloqueio de cadastros e retirada de modelos, que não encontramos em nenhuma página da AWS. Para planejar, a data oficial é uma só: 30/04/2027.
O terminal já mudou antes. Em outra página do guia, a AWS registra que o Amazon Q Developer CLI foi rebatizado como Kiro, e que, ao atualizar, a extensão e o CLI passam a se chamar Kiro e ganham recursos novos. Para administradores de assinaturas Pro, o console do Q Developer virou o console do Kiro, com as mesmas funções.
Quanto custa o Amazon Q Developer?
São dois níveis. O gratuito dá 50 requisições agênticas por mês e 1.000 linhas de transformação de código Java por usuário. O Pro custa US$ 19 por usuário ao mês e muda três coisas: limites maiores de uso, 4.000 linhas de transformação Java por usuário ao mês (somadas na conta, com excedente a US$ 0,003 por linha) e recursos de gestão, como painel administrativo, políticas por usuário e integração com o IAM Identity Center. O Pro inclui ainda indenização de propriedade intelectual e vem com a coleta de dados desligada automaticamente.
O ponto que importa para a comparação com o Kiro: a tabela oficial do Pro descreve as requisições agênticas como limites maiores, sem publicar um número, e o Pro não tem compra de uso extra. A conta é previsível no valor, não no volume. Quando o desenvolvedor esbarra no limite, o custo não sobe; quem sente é a produtividade.
O que é o Kiro e quanto ele custa?
O Kiro é a ferramenta de programação com agentes que a AWS indica no lugar dos plugins. Ele tem um editor próprio, o Kiro IDE, construído sobre o Code OSS, a mesma base do VS Code, e um terminal, o Kiro CLI. Além do que o Q fazia no editor, o guia de migração lista o que só o Kiro tem: arquivos de orientação do projeto (steering), hooks, subagentes e skills personalizados, lista de comandos de terminal permitidos e bloqueados e desenvolvimento orientado por especificação, este só no IDE.
A cobrança é outra lógica. Em vez de um assento com limite fixo, o Kiro vende créditos, que a página de preços define como unidade de trabalho em resposta aos comandos do usuário. Um pedido simples pode gastar menos de um crédito; uma tarefa de especificação costuma gastar mais; e cada modelo consome em ritmo diferente: a própria página dá o exemplo de uma tarefa que custa X créditos no modo Auto e cerca de 1,3X no Claude Sonnet 4.6.
Três detalhes da mesma página pesam no orçamento. Os créditos do plano zeram no início de cada mês e não acumulam. Os preços não incluem impostos. E, no plano individual, o uso extra é comprado em pacotes, de US$ 5 (125 créditos) a US$ 100, cobrados na hora e válidos por 12 meses; para times, vale o excedente a US$ 0,04 por crédito.
Amazon Q Developer ou Kiro: qual a diferença na cobrança?
A diferença de preço de entrada é pequena: US$ 19 contra US$ 20. A diferença real está no que acontece no fim do mês. A tabela abaixo põe os dois modelos lado a lado.
| Amazon Q Developer Pro | Kiro (planos pagos) | |
|---|---|---|
| Preço por usuário/mês | US$ 19 | US$ 20 (Pro), US$ 40 (Pro+), US$ 100 (Pro Max), US$ 200 (Power) |
| Unidade de uso | Requisições agênticas com limites maiores, sem número publicado | Créditos: 1.000, 2.000, 5.000 ou 10.000 por mês |
| Passou do limite | Sem compra de uso extra | Excedente a US$ 0,04 por crédito (pacotes avulsos no plano individual) |
| Quem libera o extra | Não se aplica | No Enterprise, vem desligado; o administrador liga no console |
| Sobra do mês | Não se aplica | Créditos do plano não passam para o mês seguinte |
| Gestão | Painel administrativo e IAM Identity Center | Console do Kiro (o antigo console do Q), SSO, análise de uso e faturamento centralizado no Enterprise |
AWS, Amazon Q Developer pricing, e Kiro, página de preços e guia de migração do CLI, consultadas em 12/10/2026.
O próprio guia do Kiro destaca essa mudança como vantagem: os planos pagos permitem usar além do limite, por créditos avulsos ou excedente de time, algo que o Q Developer Pro não oferece. Para o desenvolvedor, é o fim de esbarrar no teto. Para o financeiro, é uma linha variável na fatura da AWS que antes não existia.
Qual plano do Kiro cada desenvolvedor precisa?
A tabela de preços tem uma regularidade que ajuda a decidir. Do Pro para o Pro+, a empresa paga US$ 20 a mais por 1.000 créditos a mais: US$ 0,02 por crédito. O mesmo vale para os degraus seguintes, do Pro+ para o Pro Max (US$ 60 por 3.000 créditos) e do Pro Max para o Power (US$ 100 por 5.000). Subir de plano sai pela metade do preço do excedente, que é de US$ 0,04.
A consequência prática, numa conta nossa sobre a tabela oficial: se um desenvolvedor no Pro passa com frequência de 500 créditos de excedente no mês (US$ 20), já compensa colocá-lo no Pro+. O excedente é bom para picos; uso alto e constante pede o plano de cima. Como os créditos não acumulam, o erro inverso também custa: pôr todo mundo no Power por precaução é pagar crédito que vai sumir no dia 1º.
Três perfis para começar
- Uso ocasional: quem pede sugestões e tira dúvidas no chat algumas vezes por dia. Comece no Pro e observe o consumo do primeiro mês.
- Uso diário com agente: quem delega tarefas de várias etapas, gera testes e refatora com o agente. É o candidato natural ao Pro+ ou ao Pro Max, conforme o histórico.
- Uso intensivo: quem trabalha com especificações longas e modelos premium o dia todo. Avalie o Power só depois de ver o consumo real, não antes.
O enquadramento inicial é um palpite. O que o corrige é a análise de uso, que o Enterprise oferece no console. Marque uma revisão depois do primeiro mês completo e mova as pessoas de plano com base no que gastaram, e não no cargo.
Quem deve liberar o excedente do Kiro?
Essa é a pergunta que os guias de migração não fazem, e é a que mais muda a rotina da empresa. No Enterprise, o excedente vem desligado. Enquanto ninguém mexer, o Kiro se comporta como o Q Developer Pro: quem atinge o limite do plano fica sem uso até o mês virar. Quando alguém liga, o uso extra entra na fatura do fim do mês, sem aprovação a cada pedido.
Ligar o excedente é uma decisão de orçamento, não uma configuração técnica. Ela precisa de dono antes do primeiro dia de uso.
Na prática, recomendamos separar três papéis. O líder técnico define o plano de cada pessoa. O financeiro define quanto de variável o time pode gastar no mês. E o administrador do console só liga o excedente depois que os dois combinaram o teto e quem acompanha a fatura. Sem essa conversa, há dois desfechos ruins: ou o excedente fica desligado e o time trava no meio de uma entrega, ou fica ligado e ninguém olha a conta até ela chegar.
O que acontece com cada IDE na migração?
Aqui está a parte que mais pega times corporativos de surpresa. O guia oficial de migração, atualizado em 4 de agosto de 2026, trata cada editor de um jeito, e dois deles ficam sem plugin.
VS Code
É o caso mais simples. Instala-se o Kiro IDE e, na primeira abertura, ele oferece importar o perfil do VS Code: extensões, configurações e atalhos. O login pode ser feito com GitHub, Google, AWS Builder ID ou IAM Identity Center. Para empresa, o último é o que importa, como veremos adiante.
JetBrains
Para IntelliJ IDEA, PyCharm, WebStorm e as demais IDEs da JetBrains, o caminho passa pelo terminal: instala-se o Kiro CLI, faz-se o login por ele e adiciona-se o Kiro como agente personalizado dentro do JetBrains AI Assistant, pelo Agent Client Protocol. Funciona, mas é uma montagem diferente do plugin de antes, e vale testar num projeto real antes de anunciar a data da troca.
Visual Studio e Eclipse
Aqui não há rota direta. Times de .NET no Visual Studio e de Java no Eclipse precisam escolher entre migrar de editor para o Kiro IDE ou manter o editor e usar o agente pelo Kiro CLI, numa janela ao lado. Nenhuma das duas é trivial: a primeira mexe no hábito e nas extensões do time; a segunda muda a forma de trabalhar, porque o agente deixa de estar dentro do editor. Esses times devem começar a testar primeiro, porque são os que têm mais a ajustar até abril de 2027.
O que é o Amazon Q Developer CLI e o que muda no Kiro CLI?
O Q Developer CLI era o agente do Q no terminal. Ele já virou Kiro CLI, e o guia de atualização, atualizado também em 4 de agosto de 2026, descreve uma troca pensada para não quebrar o que existe:
- Os comandos antigos continuam: q e q chat seguem funcionando, embora o recomendado seja kiro-cli e kiro-cli chat.
- Migração automática na instalação: as configurações saem de ~/.aws/amazonq e vão para ~/.kiro; prompts e agentes mantêm os nomes.
- MCP e regras mudam de lugar: os servidores MCP vão para ~/.kiro/settings/mcp.json (os que conflitam são pulados) e as regras viram arquivos de steering.
- Pastas de projeto: as configurações em .amazonq continuam sendo lidas, mas o que for criado novo vai para .kiro, que tem prioridade quando as duas existem.
- Licença do software: passa de Apache 2.0 para a AWS Intellectual Property License, e as novidades e correções futuras só saem para o Kiro CLI.
O guia também responde uma dúvida comum: a assinatura Q Developer Pro funciona no Kiro CLI, e os administradores podem passar usuários do Q para planos do Kiro um a um ou por grupo. Vale a mesma recomendação de toda migração de ferramenta: faça a troca primeiro num repositório de referência, confira se regras e conectores MCP chegaram ao lugar novo, e só depois libere para o time.
Como migrar a assinatura do Q Developer Pro para o Kiro?
A FAQ do Kiro diz que quem assina o Q Developer Pro mantém os benefícios do plano ao entrar no Kiro com as mesmas credenciais, e que, nesse caso, o Kiro não usa o conteúdo para melhoria do serviço. Ou seja, dá para começar a usar o Kiro antes de mudar de plano. A mudança de plano é feita no console do Kiro, por usuário ou por grupo.
Um detalhe operacional da documentação da AWS merece atenção: depois de atualizar para o Kiro, o console do Q Developer some do menu, e cancelar a assinatura do Q Developer é um passo à parte. É preciso reativar o console do Q nas configurações e seguir as instruções de cancelamento. Quem passa o time para planos do Kiro deve conferir, na fatura seguinte, se as assinaturas antigas foram mesmo encerradas.
O login decide o que acontece com o código
A FAQ do Kiro separa os casos. Nos planos pagos acessados pelo IAM Identity Center ou por um provedor de identidade externo, o Kiro diz que não usa o conteúdo dos usuários. No nível gratuito e no login social ou pelo AWS Builder ID, ele pode usar parte do conteúdo para melhorar o serviço, com opção de recusar. Como o Kiro IDE aceita login com GitHub e Google, a empresa precisa exigir o login corporativo; se não exigir, cada desenvolvedor escolhe o próprio, e o código da empresa passa a seguir regras que ninguém aprovou.
E se a empresa quiser comparar com o GitHub Copilot e outras ferramentas?
Para quem vai contratar agora, comparar o Q Developer com outras ferramentas perdeu boa parte do sentido: o plugin tem data para acabar, e a comparação útil é entre o Kiro e os concorrentes. Se a empresa já vive dentro da AWS, com contas, identidade e faturamento lá, o Kiro é o caminho de menor atrito, porque a assinatura entra na mesma fatura e na mesma gestão de identidade.
Se o Q Developer era a única peça da AWS na esteira de desenvolvimento, vale comparar com calma, pelas perguntas que valem para qualquer ferramenta: quem controla o uso dos dados, quem pode instalar conectores e quanto custa o uso além do plano. Já fizemos essa leitura em o que o assento do GitHub Copilot não cobre e em as permissões que a empresa trava no Claude Code. E o Google passa por uma transição parecida, que contamos em o prazo para migrar do Gemini Code Assist.
Quais os erros mais comuns nessa transição?
- Confiar em datas de terceiros. A única data publicada pela AWS para os plugins é 30/04/2027. Planeje por ela e acompanhe a página oficial.
- Comparar só o preço de entrada. US$ 19 contra US$ 20 parece empate; a diferença está no excedente e no plano de cada pessoa.
- Ligar o excedente sem dono. No Enterprise ele vem desligado por um motivo. Combine teto e responsável antes.
- Deixar Visual Studio e Eclipse para o fim. São os times sem plugin nativo e os que mais precisam testar.
- Esquecer de cancelar o Q Developer Pro. O cancelamento é um passo separado no console.
- Aceitar login pessoal. Sem exigir o IAM Identity Center, o uso de dados muda conforme o login de cada um.
Por onde começar hoje?
- Liste quem usa o Q Developer, em qual editor e com qual login, separando VS Code, JetBrains, Visual Studio, Eclipse e terminal.
- Comece os testes pelos times de Visual Studio e Eclipse, que não terão plugin nativo.
- Migre um repositório de referência para o Kiro e confira regras, conectores MCP e configurações do CLI no lugar novo.
- Defina o plano inicial de cada pessoa pelo perfil de uso e marque a revisão depois do primeiro mês.
- Decida quem aprova o excedente, com teto e alerta de custo, antes de ligá-lo no console.
- Exija o login corporativo e cancele as assinaturas do Q Developer Pro de quem já mudou.
Se a troca de ferramenta abrir uma conversa maior sobre como o time usa IA para desenvolver, com regras, revisão de código e custo, é o tipo de trabalho que fazemos no serviço de desenvolvimento assistido por IA. E, se a dúvida for onde a tecnologia entra no marketing e na operação como um todo, o diagnóstico de marketing gratuito da Alliance ajuda a enxergar o quadro antes de decidir.

