Quase toda empresa tem uma página Quem somos, e quase todas foram escritas do mesmo jeito: um parágrafo sobre a fundação, uma frase de missão, três valores com letra maiúscula e a promessa de “excelência” e “compromisso com o cliente”. A página existe porque todo site tem uma, e ninguém volta a ela depois da aprovação do layout.
Os guias que aparecem no topo da busca tratam essa página como storytelling: contar a história, emocionar, mostrar a equipe. Isso tem valor, mas deixa de fora a pergunta mais útil: quem lê o Quem somos para conferir se a empresa existe e é confiável? A resposta inclui o comprador desconfiado, o avaliador de qualidade do Google e, para quem vende online, a lei brasileira. Este guia mostra o que cada um procura e como escrever uma página que aguente a conferência.
O que é a página Quem somos de uma empresa?
A página Quem somos (também chamada de Sobre, Sobre nós ou A empresa) é a parte do site em que a organização se apresenta: quem é, o que faz, desde quando, para quem e com quem. Em inglês ela se chama About us, e é por esse nome que aparece nos documentos do Google.
Ela não é a página de serviços nem a de contato, embora converse com as duas. A página de serviços diz o que a empresa vende; a de contato diz como falar com ela; o Quem somos diz quem está por trás e por que alguém deveria acreditar no resto do site. Em empresas pequenas, é comum as três caberem em uma página só, e não há problema nisso desde que nenhuma das três funções fique de fora.
Para que serve o Quem somos, além de contar a história?
A história de fundação é a parte mais escrita e a menos procurada. Quem chega ao Quem somos raramente quer saber da garagem onde tudo começou: quer saber se a empresa é real, se tem gente responsável, se vai estar lá amanhã e se alguém já comprou dela e ficou satisfeito. É uma página de verificação, lida no momento em que a pessoa está decidindo se confia.
Essa leitura não é só do comprador. O Google publica as diretrizes que entrega aos seus avaliadores humanos de qualidade, e o roteiro de confiança que elas descrevem começa exatamente nessa página.
Repare na ordem: primeiro o que a empresa diz de si, depois o que os outros dizem dela. As mesmas diretrizes, na seção sobre reputação do site, pedem que o avaliador seja cético com o que os sites afirmam sobre si mesmos, sobretudo quando há conflito de interesse, e que não aceite informação de uma ou duas páginas do próprio site sem confirmação independente. O Quem somos, portanto, é o ponto de partida da conferência, não a palavra final.
O que o Google diz sobre a página Quem somos?
Antes de tudo, um cuidado: as diretrizes são instruções para pessoas que avaliam a qualidade dos resultados, não o código do algoritmo. O próprio Google deixa isso claro ao explicar como trabalha com esses avaliadores.
Então não existe “fator Quem somos” no ranqueamento, e desconfie de quem prometer subir posições porque reescreveu essa página. O que existe é um alinhamento: o Google usa os avaliadores para medir se os sistemas automáticos estão trazendo conteúdo confiável, e no guia de conteúdo útil ele pergunta, entre os critérios de autoavaliação, se o conteúdo traz “dados sobre o autor ou site da publicação (como links para uma página de apresentação)”.
No mesmo guia, o Google esclarece que o E-E-A-T em si não é um fator de classificação específico, e sim um conceito que uma combinação de sinais tenta capturar. E faz um alerta que vale para qualquer Quem somos: fabricar perfis, com fotos de rosto geradas por IA, nomes inventados ou credenciais falsas, é uma forma de enganar as pessoas e um sinal de página de baixa qualidade. A leitura completa está em Como criar conteúdo útil, confiável e que prioriza as pessoas, do Google Search Central.
O Quem somos não faz o site subir. Ele faz o site aguentar a conferência de quem já chegou até ele.
Qual a diferença entre um Quem somos que conta e um que prova?
A maioria das páginas mistura dois tipos de frase. A frase que conta é uma afirmação que só a empresa pode fazer sobre si: “somos referência”, “atendimento humanizado”, “paixão pelo que fazemos”. A frase que prova é uma afirmação que outra pessoa consegue conferir: o ano de abertura, a cidade, o nome de quem responde, o cliente que autorizou ser citado, a reportagem que mencionou o trabalho.
| Quem somos que conta | Quem somos que prova | |
|---|---|---|
| Quem está por trás | “Uma equipe apaixonada” | Nome e função de quem responde, razão social e CNPJ |
| Tempo de mercado | “Anos de experiência” | Ano de abertura, que bate com o registro público |
| Onde atua | “Atendemos todo o Brasil” | Cidade da sede, endereço e regiões onde já entregou |
| Resultado | “Clientes satisfeitos” | Clientes nomeados com autorização e links para os cases |
| Reconhecimento | “Referência no setor” | Links para matérias, prêmios ou associações que citam a empresa |
| Contato | Formulário genérico | Canal que leva a uma pessoa, com prazo de resposta |
Comparativo elaborado pela Alliance Comunicação a partir das seções 2.5.3, 3.3.1 e 3.4 das diretrizes dos avaliadores do Google (11/09/2025).
A coluna da esquerda não é proibida; ela só não tem o que ser conferido, e por isso pesa pouco para quem desconfia. As diretrizes vão além: na seção sobre informação exagerada ou levemente enganosa a respeito do site ou do autor, mandam dar nota baixa quando as alegações parecem infladas só para impressionar o visitante, e basear a avaliação no conteúdo, na pesquisa de reputação e em credenciais verificáveis, não em frases como “sou especialista”.
O que a lei exige de quem vende online?
Aqui o Quem somos deixa de ser recomendação e vira obrigação, mas só para um tipo de site: o que oferece ou fecha contrato de consumo pela internet. Loja virtual, venda de curso, assinatura, agendamento com pagamento online. O decreto que regulamenta o Código de Defesa do Consumidor para o comércio eletrônico lista o que precisa estar visível.
O mesmo decreto pede, no art. 2º, as condições integrais da oferta, incluindo modalidades de pagamento e prazo de entrega; no art. 4º, um serviço de atendimento eletrônico adequado e eficaz, com resposta ao consumidor em até cinco dias; e, no art. 5º, que o fornecedor informe de forma clara e ostensiva como exercer o direito de arrependimento. O art. 7º remete o descumprimento às sanções do art. 56 do Código de Defesa do Consumidor.
Duas consequências práticas. Primeira: “local de destaque” não é o Quem somos escondido no menu; para quem vende online, CNPJ, razão social e endereço costumam ir também no rodapé de todas as páginas. Segunda: uma empresa B2B que só apresenta serviços e recebe pedidos de orçamento não está, em regra, ofertando contrato de consumo pelo site, e o decreto não se aplica a ela da mesma forma. Para ela, os mesmos dados continuam úteis como prova, não como exigência legal.
As diretrizes do Google batem com a lei nesse ponto. Na seção 2.5.3, dizem que contato e informações de atendimento são extremamente importantes para sites que lidam com dinheiro, como lojas e bancos, e pedem que, em sites de compra, o avaliador procure o contato e as políticas de pagamento, troca e devolução. Na seção 5.5, observam que uma loja com apenas um e-mail e um endereço físico pode dificultar a ajuda quando a compra dá problema.
O que colocar no Quem somos de uma empresa?
Sete blocos cobrem o que o comprador, o avaliador e, quando for o caso, a lei procuram. A ordem pode mudar conforme o negócio; o que não muda é que cada bloco tenha pelo menos uma informação que alguém de fora consiga confirmar.
1. O que a empresa faz, em uma frase
A abertura responde “o que é esta empresa” sem adjetivo: o que entrega, para quem e onde. “Agência de comunicação em São Paulo que atende empresas de médio porte em marca, conteúdo e mídia” diz mais do que “transformamos sonhos em realidade”. É a frase que a pessoa, e também a IA que resume o site, vai repetir.
2. Quem responde pela empresa
Nome e função dos sócios ou de quem dirige a operação, com foto real e, se fizer sentido, link para o perfil profissional. Em empresa grande, a liderança; em empresa pequena, o dono. As diretrizes esperam informação clara sobre quem é responsável pelo site, salvo motivo legítimo para anonimato, e uma empresa que vende não costuma ter esse motivo.
3. Desde quando e onde
Ano de abertura, cidade da sede e endereço. Esses dados têm uma vantagem: podem ser conferidos no registro público da empresa. Se o site diz “desde 2010” e o CNPJ foi aberto em 2019, explique (mudança de razão social, por exemplo) em vez de deixar a contradição para o visitante encontrar.
4. O que já entregou e para quem
Clientes atendidos, projetos marcantes e resultados, sempre com autorização para nomear. Logo de cliente sem permissão é um risco, não uma prova; o que o cliente precisa assinar antes está detalhado no nosso guia sobre o que o cliente precisa autorizar antes de você publicar um case. Número de resultado só entra com base, período e fonte.
5. Onde outros falam da empresa
Links para matérias na imprensa, prêmios, associações de classe, avaliações em plataformas independentes e perfis oficiais nas redes. É a ponte que o próprio Quem somos pode oferecer para a segunda etapa da conferência: em vez de esperar que o visitante procure, a página mostra onde procurar.
6. Como falar com alguém
Telefone, e-mail, WhatsApp, endereço e, idealmente, o prazo de resposta. Para loja, também o caminho para troca, devolução e arrependimento. O link para a página de contato não substitui ter esses dados visíveis.
7. Os dados também em formato de máquina
O Google tem um tipo de dado estruturado para isso, o Organization, e recomenda inseri-lo na página inicial ou em uma única página que descreva a organização, como a página Sobre. Entre as propriedades estão legalName (a razão social), taxID (no Brasil, o CPF ou CNPJ), endereço, telefone e sameAs, com links para perfis em redes sociais ou sites de avaliação. A documentação está em Dados estruturados da organização, do Google Search Central.
Como escrever o Quem somos passo a passo?
- Liste os fatos antes de escrever qualquer frase. Razão social, CNPJ, ano de abertura, endereço, nomes dos sócios, clientes que podem ser citados, matérias e prêmios com link. Se a lista for curta, ela é o diagnóstico: falta prova, não texto.
- Escreva a frase de abertura com o que a empresa faz, para quem e onde, sem adjetivo.
- Conte a história em três ou quatro parágrafos curtos, cada um ancorado num fato: quando começou, o que mudou, o que a empresa aprendeu com isso.
- Apresente as pessoas com nome, função e foto real. Se a equipe é grande, mostre quem o cliente vai encontrar no atendimento.
- Mostre a prova de terceiros com links: clientes autorizados, cases, imprensa, associações, avaliações.
- Feche com o contato e um próximo passo coerente com a página: conhecer os serviços, pedir orçamento, falar com alguém.
- Releia trocando o nome da empresa pelo de um concorrente. Cada frase que continuar verdadeira serve para qualquer empresa e pode sair.
- Marque uma data para revisar. Endereço, equipe e clientes mudam; Quem somos desatualizado é pior do que curto.
Escrever assim exige o mesmo cuidado de qualquer texto que faz promessa ao leitor. A lógica é a do nosso guia de copywriting com promessa que precisa de prova: cada afirmação forte carrega a evidência ao lado, ou não entra.
Missão, visão e valores entram no Quem somos?
Podem entrar, desde que sirvam para alguma coisa. O problema não é a seção em si, e sim o conteúdo genérico: “ética, transparência e comprometimento” estão no Quem somos de milhares de empresas e não ajudam ninguém a escolher entre elas. Valor que não muda nenhuma decisão é decoração.
Um valor ganha peso quando vem com uma prática que o visitante consegue ver. “Transparência” vira “mandamos ao cliente o relatório de mídia com os números da plataforma, sem tratamento”. “Prazo” vira “todo projeto começa com cronograma assinado”. Se a empresa não consegue descrever a prática, talvez aquele valor ainda não exista fora do slide.
Na ordem da página, missão, visão e valores costumam funcionar melhor depois dos fatos (quem, desde quando, o que entregou) do que antes deles. Quem chega desconfiado quer primeiro saber se a empresa é real; o propósito convence depois.
Quais os erros mais comuns na página Quem somos?
- Só adjetivos. “Líder”, “referência”, “excelência” sem um fato que os sustente. Para o leitor desconfiado, é ruído; para o avaliador do Google, é o tipo de alegação que as diretrizes mandam não aceitar sem confirmação.
- Equipe de banco de imagem. Foto de pessoas que não trabalham na empresa, ou rostos gerados por IA. O guia de conteúdo útil do Google trata a criação de perfis falsos como forma de enganar.
- Logo de cliente sem autorização. Parece prova, mas pode virar problema com o cliente e não resiste a uma pergunta direta.
- Nenhum nome de pessoa. A empresa fala sempre em “nós” e ninguém sabe quem responde por ela.
- Dados que contradizem o registro. Ano de fundação, cidade ou razão social diferentes do CNPJ, sem explicação.
- Loja sem CNPJ e endereço visíveis. Para quem vende ao consumidor pela internet, não é só falta de confiança: é descumprimento do Decreto 7.962/2013.
- Página escrita uma vez e esquecida. Sócio que saiu, endereço antigo, cliente que deixou de ser cliente e continua no carrossel.
Boa parte desses erros nasce do mesmo lugar em que nascem as falhas do resto do site: a página é aprovada pelo visual, não pelo conteúdo. O nosso checklist do site institucional e o que um terço das páginas esquece cobre o restante das páginas, inclusive o que a LGPD pede que fique publicado.
O que muda no Quem somos por tipo de empresa?
O núcleo é o mesmo para todas: quem, desde quando, onde, o que entregou, quem confirma e como falar. O que muda é o peso de cada bloco e o que é obrigação.
| Tipo de empresa | O que mais pesa no Quem somos | Obrigação legal específica |
|---|---|---|
| Loja virtual e venda online ao consumidor | Razão social, CNPJ, endereço, atendimento, troca e devolução | Sim: Decreto 7.962/2013, em local de destaque |
| Empresa B2B de serviços | Sócios nomeados, clientes autorizados, cases e tempo de mercado | Em regra não, se o site não fecha contrato de consumo |
| Agência de marketing ou comunicação | Equipe real, clientes e cases com autorização, onde a agência foi citada | Em regra não; cases seguem as regras de testemunhal do CONAR |
| Negócio local (clínica, restaurante, oficina) | Endereço, horário, quem atende, avaliações de clientes | Só se vender ou agendar com pagamento pelo site |
| Profissional liberal ou consultor | Nome, formação, registro profissional quando houver, trabalhos publicados | Depende da profissão e de vender ou não pelo site |
Elaborado pela Alliance Comunicação a partir do Decreto nº 7.962/2013 e das diretrizes dos avaliadores do Google (11/09/2025). Não substitui orientação jurídica para o caso concreto.
E se a empresa é pequena, nova e não tem prêmio nem matéria na imprensa? As diretrizes tratam disso na seção 3.3.5: sites pequenos podem ter pouca ou nenhuma informação de reputação, e isso não indica qualidade alta nem baixa; muitos negócios locais vivem do boca a boca. Para eles, o Quem somos honesto e completo (quem, onde, desde quando, como falar) pesa mais do que tentar parecer maior do que é.
Como saber se o Quem somos está funcionando?
- Veja quem visita a página e o que faz depois. No analytics, acompanhe a navegação a partir do Quem somos: se o visitante segue para serviços ou contato, a página está cumprindo o papel; se sai do site, falta motivo para continuar.
- Pergunte ao comercial. Clientes que chegam já citando um case ou um sócio pelo nome leram a página. Perguntas repetidas sobre “vocês são de onde?” mostram o que ela não responde.
- Faça a conferência de fora. Pesquise o nome da empresa como um desconhecido faria e compare o que aparece com o que o Quem somos afirma.
- Confira a coerência dos dados. Razão social, CNPJ e endereço iguais no site, no rodapé, nos dados estruturados e nos perfis oficiais.
- Revise em data marcada. A cada mudança de equipe, endereço ou carteira de clientes, a página muda junto.
Nenhum desses sinais é posição no Google, e é bom que seja assim: a página existe para converter a desconfiança de quem já chegou. Para ver como o site da sua empresa se sai nessa e em outras frentes de confiança e presença digital, o diagnóstico de marketing gratuito da Alliance avalia a maturidade por dimensão e aponta as lacunas.
Por onde começar hoje
Abra o Quem somos da sua empresa e faça o teste do sublinhado. Depois, monte a lista de fatos: razão social, CNPJ, ano, endereço, nomes, clientes autorizados, links de terceiros. Se a empresa vende ao consumidor pela internet, confira primeiro a coluna obrigatória: CNPJ, endereço físico e eletrônico, atendimento e caminho de arrependimento, em local de destaque.
Com os fatos na mão, reescreva a página em blocos curtos, cada um com algo que alguém de fora consiga confirmar. Se o texto da empresa precisa sair dos adjetivos para a prova, em todo o site e não só nessa página, é esse o trabalho da nossa área de conteúdo e copywriting.

