Procure "tamanho do Reels" e quase todo resultado repete o mesmo número: 1.080 × 1.920 pixels, em 9:16. Até aí, ninguém erra. O desencontro começa logo depois, quando os guias falam do espaço que a interface cobre: um diz 20% na base, outro fala em pixels soltos, outro sugere um recorte de 1.080 × 1.350. Quase nenhum diz de onde tirou o número.
Este guia vai à fonte. A Meta publica, no guia de anúncios do Instagram Reels, a resolução, o formato do arquivo e as porcentagens exatas da faixa que deve ficar livre. O texto foi escrito para quem produz o vídeo da empresa ou contrata quem produz: mostra quanto do quadro sobra para letreiro e logotipo, por que isso muda o jeito de gravar uma entrevista, como sair da gravação com um arquivo que roda em Reels, Shorts e TikTok, e o que pedir no briefing para a produtora.
Qual o tamanho do Reels em pixels?
O Reels é vertical, na proporção 9:16: a altura é 16/9 da largura, o formato da tela do celular segurado em pé. Dentro dessa proporção, a especificação que a Meta publica com números é esta:
E o 1.080 × 1.920 que aparece em todo lugar? Ele tem exatamente a mesma proporção, 9:16, só que com menos pixels. Não está errado: é o Full HD posto na vertical, e por isso virou o número de referência dos guias. A diferença é de folga. Quem entrega em 1.440 × 2.560 dá ao aplicativo mais informação para comprimir, e quem precisa recortar ou aproximar a imagem na edição perde menos nitidez.
Para a produção, a regra prática fica assim: 9:16 é obrigatório (é o que faz o vídeo ocupar a tela inteira), 1.080 × 1.920 é o piso que ninguém deveria descer e 1.440 × 2.560 é o que a Meta pede quando o vídeo vai virar anúncio.
De onde vem essa medida, e por que ela é de anúncio?
Vale ser preciso sobre o recorte. A especificação acima está no guia de anúncios da Meta, a página que orienta quem impulsiona ou cria anúncios no posicionamento Instagram Reels. É a única página da Meta que traz, com números, resolução, peso do arquivo e faixas livres. Para o Reels orgânico, publicado direto no perfil, não há uma tabela equivalente com essas porcentagens.
Isso não torna a especificação inútil para o orgânico. O que ela descreve é a interface que cobre o vídeo: ícone do perfil, chamada para ação, bordas de aparelhos com tela mais alongada. O anúncio roda entre os Reels orgânicos, na mesma tela. Quem segue o guia de anúncios grava um vídeo que funciona nos dois casos, e ainda pode virar anúncio depois sem refazer a edição.
O que não dá para fazer é usar o guia de anúncios para afirmar regras do orgânico que ele não trata. A duração, por exemplo: a página do anúncio aceita de 0 segundo a 15 minutos, mas isso é limite de anúncio. Para o limite do Reels publicado no perfil, a fonte é a Central de Ajuda do Instagram, consultada no dia em que o roteiro for fechado.
O que é a área segura do Reels?
Área segura é a parte do quadro que nenhum elemento da interface cobre. O vídeo continua ocupando a tela inteira, mas o que está nas bordas divide espaço com ícones, textos e botões do aplicativo. A Meta define essa faixa em porcentagens, e é aqui que os guias da internet mais divergem dela:
Três detalhes dessa frase importam. Primeiro, "pelo menos": as porcentagens são o mínimo, não a margem ideal. Segundo, a lista do que precisa ficar fora das bordas é de texto, logotipo e elementos importantes, não da imagem toda. O céu, a parede, o corpo do entrevistado podem ir até a borda. Terceiro, a menção a telas "com proporção superior a 9:16": há aparelhos mais alongados que o 9:16, e neles o que estiver nas laterais fica perto demais da borda da tela. Os 6% de cada lado existem por isso.
Quanto do quadro sobra para texto e logotipo?
Convertidas em pixels sobre o quadro de 1.440 × 2.560, as porcentagens da Meta dão uma ideia mais concreta do espaço. O topo livre tem cerca de 358 pixels; a base, 896; cada lateral, cerca de 86. O que sobra no meio é uma área de aproximadamente 1.267 × 1.306 pixels.
Duas conclusões saem dessa conta. A primeira: o espaço útil para texto é quase quadrado, mesmo num vídeo vertical. Quem já produz para o feed quadrado tem uma boa intuição do tamanho de letra e do volume de texto que cabe ali. A segunda: esse espaço é menos da metade do quadro, cerca de 45% da área, e está deslocado para cima. O centro óptico do texto não é o centro da tela, é um pouco acima dele.
Na prática, isso quer dizer que um título de três linhas, um letreiro com nome e cargo e um logotipo no canto não cabem todos ao mesmo tempo sem disputa. A edição precisa escolher o que aparece em cada momento, e o roteiro já deveria prever isso.
Por que os 35% da base mudam o jeito de gravar uma entrevista?
Porque é exatamente ali que a edição tradicional põe as coisas. O letreiro com nome e cargo do entrevistado, a legenda de fala, o selo do evento, o endereço do site: no vídeo horizontal, tudo isso mora no terço de baixo da tela. No Reels, o terço de baixo e mais um pouco pertencem à interface. Os 35% da Meta são mais de um terço do quadro.
Quem reaproveita a edição horizontal, ou repete o hábito no vertical, entrega um vídeo em que o nome do diretor fica embaixo da chamada para ação e a legenda some atrás do ícone do perfil. O vídeo foi bem gravado e bem editado; só não foi pensado para essa tela.
A correção começa na câmera, não na edição. Três ajustes resolvem a maior parte dos casos:
- Olhos no terço de cima. Enquadre o entrevistado de modo que o rosto fique entre a faixa dos 14% e o meio do quadro. Assim sobra espaço livre logo abaixo do queixo para o letreiro, ainda dentro da área segura.
- Plano um pouco mais aberto. Um plano fechado demais deixa o rosto ocupando o miolo inteiro, e o letreiro não tem para onde ir. Um respiro acima da cabeça e abaixo dos ombros dá margem para a edição.
- Gesto e produto no centro. Se a pessoa vai mostrar algo com as mãos, combine na gravação que o gesto acontece na altura do peito, não perto da cintura, onde a interface cobre.
1.080 × 1.920 ou 1.440 × 2.560: qual usar na gravação?
A resposta depende menos da plataforma e mais do que vai acontecer com o material depois. Se o vídeo é gravado, cortado e publicado sem mexer no enquadramento, 1.080 × 1.920 atende ao 9:16 e roda bem. Se a edição vai aproximar a imagem, recortar um quadro de um plano mais aberto ou o vídeo pode virar anúncio, vale gravar e exportar com mais resolução.
Há um caso comum em produção de empresa: gravar horizontal em 4K e tirar dali tanto a versão horizontal quanto a vertical. Funciona, desde que a direção de fotografia saiba disso no set. Um recorte vertical de um quadro 16:9 aproveita só uma fatia estreita da imagem; se o entrevistado estiver no terço lateral do quadro horizontal, ele sai cortado no vertical. Decidir isso na gravação custa uma conversa. Descobrir na edição custa uma nova diária.
Os outros itens da especificação da Meta também vão para a ficha técnica: compressão H.264, pixels quadrados, taxa de quadros fixa, varredura progressiva e áudio AAC estéreo a 128 kbps ou mais. São parâmetros de exportação que qualquer editor ajusta em minutos, mas que precisam estar pedidos por escrito.
O tamanho do Reels é o mesmo do Story e do Facebook Reels?
Nos guias de anúncio da Meta, sim, com diferenças pequenas que interessam a quem escreve o texto. A tabela reúne o que cada página publica:
| Instagram Reels | Instagram Stories | Facebook Reels | |
|---|---|---|---|
| Proporção | 9:16 | 9:16 | 9:16 (recomendada) |
| Resolução | 1.440 × 2.560 px | 1.440 × 2.560 px | 1.440 × 2.560 px |
| Faixa livre | 14% topo, 35% base, 6% laterais | Cerca de 14%, 35% e 6% | Cerca de 14%, 35% e 6% |
| Arquivo máximo | 4 GB | 4 GB | 4 GB |
| Duração do anúncio | 0 s a 15 min | 1 s a 60 min | Sem limite máximo |
| Texto principal recomendado | 44 caracteres | 125 caracteres | 40 caracteres |
Meta, Guia de anúncios, páginas de vídeo para Instagram Reels, Instagram Stories e Facebook Reels, consultadas em outubro de 2026. Valores de anúncio, não do conteúdo orgânico.
A boa notícia para a produção: o mesmo vídeo vertical serve aos três, com o mesmo gabarito de área segura. A diferença está no texto que acompanha o anúncio e no limite de duração de cada posicionamento. Um corte de 30 segundos pensado para o Reels pode rodar no Story e no Facebook Reels sem reedição.
Dá para gravar um vídeo só para Reels, Shorts e TikTok?
Dá, e para a maioria das empresas é o caminho mais econômico. As três plataformas trabalham com vídeo vertical em 9:16, e um master bem planejado atende a todas. O que muda entre elas não é o tamanho do quadro, é duração, direitos de música e espaço da interface.
No YouTube, o que transforma um vídeo em Short é a combinação de formato e duração:
A mesma página registra uma mudança recente que pesa na escolha da trilha:
"Não bloqueado" não quer dizer "liberado": a reivindicação continua ativa, e quem é dono da música segue com direitos sobre aquele vídeo. Para a conta de uma empresa, a trilha precisa ter licença que cubra uso comercial em todas as plataformas onde o master vai rodar. No lado da Meta, o guia de anúncios do Instagram Reels diz que o anúncio não deve conter música licenciada e recomenda áudio original ou faixas isentas de royalties da Coleção de Sons da Meta. O artigo sobre música sem direitos autorais para a conta da empresa detalha o que cada licença permite.
O TikTok também publica a sua especificação de anúncio: vertical em 9:16 é o recomendado, a partir de 540 × 960 pixels, com vídeo de até 10 minutos e arquivo de até 500 MB. A diferença está na zona segura, que a plataforma não fixa em uma porcentagem só: segundo a Central de Ajuda do TikTok para Empresas, ela depende da dimensão, do tamanho da legenda do anúncio e de qualquer formato adicional usado, e há gabaritos para baixar. Se o master vai para o TikTok, sobreponha também o gabarito dele antes de fechar a edição.
Como enquadrar um vídeo vertical na gravação?
O trabalho começa antes de ligar a câmera, com o gabarito na mão. Cinco passos, na ordem em que acontecem:
1. Marque a área segura no monitor
Leve o gabarito com as faixas de 14%, 35% e 6% para o set impresso ou em transparência e deixe-o visível para o diretor de fotografia, ou carregue-o como sobreposição se o monitor do set permitir. É a forma mais barata de evitar a cena perfeita com o rosto embaixo da chamada para ação.
2. Decida o formato principal antes da primeira cena
Se o vertical é o destino principal, grave em vertical. Se o horizontal é o principal e o vertical sai de recorte, combine em que posição do quadro o assunto fica para sobreviver ao corte. O roteiro de vídeo com as decisões tomadas antes do texto é o lugar para registrar essa escolha.
3. Deixe o primeiro segundo sem texto crucial no topo
Os 14% de cima são a faixa que a Meta reserva para o que o aplicativo põe no topo da tela. Título de abertura colado na borda superior é um dos defeitos mais comuns em vídeo vertical de empresa; desça-o para dentro do miolo.
4. Grave com som limpo, mesmo que vá legendar
A legenda queimada resolve quem assiste sem som, mas depende de um áudio bom para ser transcrita sem erro. Microfone de lapela ou direcional próximo vale mais do que qualquer ajuste de resolução.
5. Revise no celular, não no monitor de edição
A tela grande da ilha de edição engana: tudo parece legível. Antes de aprovar, exporte uma prévia, mande para o celular e assista com a interface por cima. É ali que se descobre a letra pequena demais e o logotipo escondido.
O que pedir à produtora no briefing?
A maior parte dos problemas de tamanho do Reels nasce de um briefing que diz só "vídeo para redes sociais". Para a produtora entregar o arquivo certo na primeira versão, o pedido precisa trazer cinco itens por escrito:
- Master vertical em 9:16, em 1.440 × 2.560 pixels, com os parâmetros de exportação da Meta (H.264, taxa de quadros fixa, áudio AAC estéreo a 128 kbps ou mais).
- Letreiros, títulos e logotipo dentro da área livre: fora dos 14% de cima, dos 35% de baixo e dos 6% de cada lado.
- Uma versão limpa, sem letreiro e sem legenda queimada, para reaproveitar o vídeo em outra plataforma ou outro idioma sem refazer a edição.
- Legenda queimada acima da faixa de baixo, e também o arquivo de legenda em separado, para quem quiser usar o recurso da própria plataforma.
- Trilha com licença que cubra uso comercial em todas as plataformas previstas, com o comprovante entregue junto do vídeo.
Vale pedir também a lista de cortes que sairão da mesma gravação, com a duração de cada um, e conferir na véspera da publicação o limite vigente de cada plataforma. Quando a empresa está comparando propostas, esses itens ajudam a ver o que cada orçamento inclui. O guia sobre o que você está comprando num vídeo institucional aprofunda essa conversa, e a página de produção audiovisual da Alliance mostra como a agência organiza a entrega em versões.
Quais os erros mais comuns com o tamanho do Reels?
Os erros abaixo aparecem com frequência em vídeos de empresa, e quase nenhum tem a ver com o número de pixels:
- Publicar horizontal com faixas pretas. O vídeo 16:9 colocado no meio de uma tela 9:16 desperdiça a maior parte do espaço e fica pequeno no celular.
- Letreiro no terço de baixo. Hábito do vídeo horizontal, é a causa mais comum de texto escondido no Reels.
- Logotipo no canto superior. Fica dentro dos 14% do topo ou dos 6% da lateral, exatamente onde a Meta pede para não colocar.
- Seguir uma margem inferior menor que a da Meta. Guias que falam em 20% na base deixam metade da faixa coberta fora da conta.
- Tratar a duração do anúncio como regra do orgânico. Os 15 minutos do guia de anúncios do Reels são limite de anúncio; o do perfil se confere na Central de Ajuda do Instagram.
- Trilha sem licença para uso comercial. O vídeo pode receber reivindicação do dono da música e, no Instagram Reels, não pode virar anúncio com música licenciada.
Por onde começar hoje?
Comece pelo que já está publicado. Separe os cinco últimos Reels da empresa, aplique o teste do print e anote quantos têm texto nas faixas que a Meta reserva. Esse número diz se o problema é de gravação, de edição ou de briefing, e define o que mudar no próximo vídeo.
Depois, transforme o gabarito em padrão: um arquivo de sobreposição para o set, uma linha no modelo de briefing e um item no checklist de aprovação. Vídeo vertical deixa de ser uma adaptação do horizontal e passa a ser planejado para a tela onde será visto.
Se a dúvida for maior que o formato, e envolver quanto investir em vídeo, em que canais e com que objetivo, o diagnóstico de marketing gratuito da Alliance avalia a maturidade da empresa em conteúdo e presença digital e aponta por onde vale começar.

