Quase todo texto brasileiro sobre Performance Max que aparece no topo da busca foi escrito entre 2022 e 2024, e quase todos repetem a mesma crítica: a automação tira o controle do anunciante e os relatórios não mostram o que importa. Naquela época, era uma crítica justa.
Hoje ela envelheceu. O Google abriu, ao longo de 2025, controles que esses artigos não mencionam. Este texto é o mapa atualizado para quem paga a conta: o que você decide, o que você só orienta e o que continua com a IA — incluindo os dois limites que quase ninguém conta e um roteiro de revisão mensal.
O que é Performance Max?
Performance Max é um tipo de campanha do Google Ads orientado por meta. Em vez de montar uma campanha para cada rede — uma de pesquisa, uma de YouTube, uma de Display —, o anunciante cria uma só, informa o que conta como resultado (uma venda, um lead, uma ligação) e entrega os ingredientes: orçamento, textos, imagens, vídeos, páginas de destino e pistas sobre o público.
A partir daí, a IA do Google decide onde cada anúncio aparece, quanto oferecer em cada leilão e qual combinação de peças mostrar para cada pessoa. O critério é a meta de conversão que você definiu — e é por isso que uma meta mal configurada estraga a campanha inteira, por mais bem feitos que estejam os criativos.
Como funciona a Performance Max por dentro?
Vale separar a campanha em três camadas, porque cada uma tem um dono diferente.
A camada da meta é sua: qual conversão a campanha persegue, quanto você aceita gastar e, se usar lance por meta, qual custo ou retorno é o alvo. Tudo o que a IA faz depois é tentar cumprir essa instrução.
A camada dos ingredientes é compartilhada. Você entrega os grupos de recursos (textos, imagens, vídeos, páginas), os temas de pesquisa e os sinais de público. A IA usa esse material como ponto de partida, mas não como cerca: sinais de público, por exemplo, orientam a busca por pessoas, não a restringem.
A camada do leilão é da IA: em qual canal aparecer, com qual lance e com qual combinação de peças. É aqui que mora a sensação de caixa-preta — e é aqui que não adianta brigar. O trabalho do anunciante é acertar as duas primeiras camadas e ler os relatórios da terceira.
O que mudou no controle da Performance Max desde 2025?
A virada está documentada pelo próprio Google, num comunicado de agosto de 2025 assinado por Natalie Wertz, Group Product Manager do Google. Ele reúne mudanças lançadas ao longo daquele ano — portanto, não é novidade da semana, mas é exatamente o que os artigos antigos deixaram de fora.
Na prática, isso muda duas críticas clássicas. "Não dá para bloquear busca irrelevante" deixou de ser verdade para Pesquisa e Shopping. "Não dá para ver em que termo o dinheiro foi gasto" também: o relatório de termos de pesquisa agora existe em toda campanha Performance Max.
O que não mudou é a lógica de fundo. A IA continua decidindo o leilão; o que cresceu foi a sua capacidade de dizer onde ela não deve ir e de conferir onde ela foi.
O que o anunciante decide, o que orienta e o que fica com a IA?
A confusão mais comum é tratar tudo o que aparece na tela de configuração como controle. Não é. Parte do que você preenche é ordem; parte é sugestão. A diferença decide onde vale gastar tempo de otimização.
O que é ordem
Meta de conversão, orçamento, palavras-chave negativas, exclusões de marca, exclusões de canais, filtros de adequação do conteúdo, segmentação por dispositivo e idade e a remoção de recursos gerados automaticamente. Quando você configura um desses itens, a IA obedece dentro do que o recurso alcança.
O que é sugestão
Temas de pesquisa, sinais de público e os próprios criativos. São pistas valiosas, especialmente quando a conta tem pouco histórico, mas a IA pode ir além delas se encontrar conversão em outro lugar. Tratar tema de pesquisa como palavra-chave fechada é o erro que mais gera frustração.
Temas de pesquisa: o que são e quantos cabem
Temas de pesquisa são frases que descrevem o que o seu cliente procura. Eles ajudam a IA a entender em quais buscas faz sentido aparecer, principalmente quando a campanha ainda não acumulou conversões suficientes para aprender sozinha.
Desde 2025, cabem até 50 temas por grupo de recursos, o dobro do limite anterior. Isso permite organizar grupos por linha de produto ou por dor do cliente, cada um com seus textos, imagens e temas coerentes entre si.
Dois cuidados. Tema não é palavra-chave: a IA pode ir além dele. E tema tem prioridade equivalente à de uma palavra-chave ampla ou de frase — o que leva direto à pergunta seguinte.
O que não é seu
Canal de veiculação, lance em cada leilão e combinação das peças. Não há como dizer "só Pesquisa" ou "nada de YouTube" numa Performance Max. Se o negócio precisa desse tipo de separação, a resposta é outro tipo de campanha, não uma configuração escondida.
Dá para usar palavras-chave negativas na Performance Max?
Dá, e esta é a mudança que mais altera o dia a dia de quem gerencia a conta. As negativas podem ser adicionadas diretamente na campanha ou por meio de listas compartilhadas, com escolha do tipo de correspondência.
A primeira frase é o limite que quase ninguém conta: a negativa não alcança YouTube, Display, Discover, Gmail e Maps. Negativar "grátis" impede que a campanha apareça para quem busca "curso grátis" no Google, mas não diz nada sobre em qual vídeo ou site o seu banner vai aparecer. Para esses canais, os controles são outros: exclusões de canais e filtros de adequação do conteúdo.
O próprio comunicado de 2025 faz uma ressalva que vale levar a sério: as negativas nem sempre são necessárias, mas ainda podem ser importantes para garantir que os anúncios sejam adequados à marca. Traduzindo: use negativa para bloquear o que é claramente errado — concorrente que você não quer disputar, termo de emprego, produto que você não vende —, não para microgerenciar a IA com centenas de termos que ela talvez converta.
Qual a diferença entre Performance Max e campanha de pesquisa?
A campanha de pesquisa aparece só na busca do Google, e você decide palavra por palavra quais termos disparam o anúncio. A Performance Max aparece em todo o inventário e decide sozinha, dentro dos seus limites. Quando as duas convivem na mesma conta, o Google aplica uma regra de prioridade que precisa ser entendida antes de qualquer decisão de orçamento.
Pela documentação oficial, as campanhas de pesquisa com palavra-chave de correspondência exata têm preferência sobre a Performance Max quando a consulta coincide com essa palavra. Temas de pesquisa têm a mesma prioridade que palavras-chave de correspondência ampla e de frase. E, se a campanha de pesquisa estiver limitada pelo orçamento, a Performance Max poderá ser veiculada em termos de correspondência exata.
| Campanha de pesquisa | Performance Max | |
|---|---|---|
| Onde aparece | só na busca do Google | Pesquisa, YouTube, Display, Discover, Gmail e Maps |
| Quem escolhe os termos | você, palavra por palavra | a IA, orientada por temas e sinais |
| Negativas | valem para a campanha | valem só para Pesquisa e Shopping |
| Prioridade na busca | exata tem preferência | empata com ampla e frase |
| Relatório de termos | sempre existiu | disponível em todas desde 2025 |
| Melhor uso | demanda que já existe e é bem definida | meta clara, conversão confiável e criativos para vários formatos |
Google Ads — Central de Ajuda (páginas 10724817, 15726455 e 16451273), organizado pela Alliance
A consequência prática: se a sua busca de marca e os seus termos mais valiosos estão em correspondência exata numa campanha de pesquisa com orçamento folgado, eles ficam com ela. Se a pesquisa vive batendo no teto do orçamento, essa garantia deixa de existir — e o relatório de termos da Performance Max é onde você confirma o que aconteceu.
Onde a Performance Max exige revisão humana?
Em dois pontos o Google é explícito ao devolver a responsabilidade para o anunciante: a expansão de URL final e os recursos gerados automaticamente.
A expansão de URL final permite que a campanha leve o usuário para outras páginas do seu site além da que você indicou, quando julgar que elas combinam melhor com a busca. Com ela, a IA também pode montar textos a partir do conteúdo dessas páginas. A documentação oficial é clara: o anunciante continua responsável por revisar e garantir a compliance e a precisão do conteúdo na página de destino e de todos os recursos gerados dinamicamente.
Isso importa mais do que parece. Página de vaga, política de privacidade, post antigo do blog com preço desatualizado, produto descontinuado — tudo isso pode virar destino de anúncio se a expansão estiver ligada e ninguém tiver excluído essas URLs. Desde 2025, o Google mostra os recursos gerados por essa expansão e permite remover os que não servem. Use.
Setores regulados — saúde, finanças, educação com promessa de resultado — deveriam tratar essa revisão como item fixo de rotina, não como ajuste eventual. Texto gerado a partir do site herda tudo o que está no site, inclusive o que o jurídico já pediu para tirar.
Performance Max funciona para B2B e geração de leads?
Funciona quando a meta de conversão representa um lead que o comercial quer atender. Esse é o ponto que costuma quebrar: a campanha otimiza para o que você mandou contar. Se conta todo formulário preenchido, ela aprende a trazer formulários — inclusive de estudante, de concorrente e de quem nunca vai comprar.
Empresas B2B com ciclo longo sentem isso primeiro, porque o volume é baixo e cada lead ruim pesa. O caminho é alimentar a campanha com o que acontece depois do formulário: qual lead virou oportunidade, qual virou venda. Sem esse retorno do CRM, a IA não tem como diferenciar um diretor de compras de um robô de spam. É o mesmo problema que descrevemos em por que o gargalo da geração de leads está no repasse ao comercial.
Se a conta ainda não tem esse circuito fechado, uma campanha de pesquisa com palavras bem escolhidas tende a dar mais previsibilidade do que uma Performance Max aprendendo com o sinal errado. Não é regra universal; é uma pergunta que precisa ser respondida antes de ligar a campanha.
Roteiro de revisão mensal de uma Performance Max
Performance Max não pede ajuste diário — mexer demais atrapalha o aprendizado. Pede uma revisão mensal disciplinada, sempre na mesma ordem.
1. Confira a meta de conversão
Veja se a conversão que a campanha persegue ainda é a certa e se está disparando só quando deveria. Tag duplicada, conversão de clique no WhatsApp contada como venda ou formulário de contato somado ao de trabalhe conosco distorcem tudo o que vem depois. Uma boa configuração de mensuração e web analytics é pré-requisito, não acessório.
2. Leia o relatório de termos de pesquisa
Ordene por custo. Separe três grupos: termos de marca (que talvez devessem estar numa campanha de pesquisa em correspondência exata), termos irrelevantes (candidatos a negativa) e termos novos que convertem (candidatos a virar tema ou palavra-chave em outra campanha).
3. Olhe onde o anúncio apareceu
Use o relatório de canais para ver a distribuição do investimento entre as redes. Se aparecer veiculação em conteúdo que não combina com a marca, o ajuste é por exclusão de canais e filtros de adequação — a negativa não resolve fora de Pesquisa e Shopping.
4. Revise os recursos gerados e as URLs
Abra o relatório dos recursos criados pela expansão de URL final e remova o que não serve. Confira se alguma página que não deveria receber tráfego pago virou destino. Aproveite para checar se as páginas mais visitadas convertem — uma landing page fraca desperdiça qualquer campanha.
5. Só então mexa em orçamento e meta
Ajuste verba e alvo de lance depois de limpar sinal e destino, nunca antes. Mudanças grandes e frequentes podem jogar a campanha de volta ao aprendizado. Se a dúvida for o valor em si, o raciocínio está em quanto investir em tráfego pago; se for a meta de retorno, em o que mudou no ROAS desejado do Google Ads.
Quando a Performance Max não é a campanha certa?
Nenhum tipo de campanha serve para tudo, e a Performance Max tem situações em que ela é a escolha errada ou prematura.
| Situação | Por que pesa contra | O que fazer antes |
|---|---|---|
| Conversão sem qualidade (lead ruim, B2B com ciclo longo) | a IA otimiza para o sinal que recebe | importar a qualificação do CRM ou mirar uma conversão mais funda |
| Busca de marca respondendo pela maior parte do resultado | a regra de prioridade pode tirar esses termos da pesquisa | manter a marca em correspondência exata, com orçamento folgado |
| Sem vídeos, imagens ou textos para vários formatos | a campanha vai aparecer em canais com peças fracas | produzir o mínimo de recursos por grupo antes de ligar |
| Exigência de controle total de canal | não há como restringir a Performance Max a uma rede | usar campanhas separadas por rede |
| Site com páginas que não podem receber tráfego pago | a expansão de URL final pode levá-las ao anúncio | desligar a expansão ou excluir essas URLs |
Análise da Alliance a partir da documentação do Google Ads
Note que nenhuma dessas situações diz "a Performance Max não funciona". Elas dizem que a campanha depende de três coisas que estão do seu lado da mesa: um sinal de conversão confiável, material criativo para todos os formatos e clareza sobre o que não pode acontecer com a marca.
Qual a diferença entre Performance Max e AI Max?
Os nomes parecidos confundem, mas são coisas distintas. Performance Max é um tipo de campanha, que atravessa todos os canais do Google. AI Max é um conjunto de recursos aplicado às campanhas de pesquisa: segundo o Google, a IA Max funciona como uma camada de otimização contínua para campanhas de pesquisa, com recursos de segmentação e de criativos.
Na prática, quem quer mais automação mas precisa manter a disputa restrita à busca olha para o AI Max dentro da campanha de pesquisa. Quem quer alcance em todos os canais a partir de uma única meta olha para a Performance Max. As duas podem conviver na mesma conta, e a lógica de revisão é a mesma: meta certa, termos conferidos, destinos revisados.
Por onde começar se você já tem uma Performance Max no ar
- Confirme que a conversão que a campanha persegue é a que o negócio quer — e que ela dispara uma vez só.
- Abra o relatório de termos de pesquisa e monte a primeira lista de negativas com o que é claramente errado.
- Confira se a sua busca de marca está protegida por uma campanha de pesquisa em correspondência exata, com orçamento que não bate no teto.
- Revise os recursos gerados pela expansão de URL final e as páginas de destino que receberam tráfego.
- Olhe o relatório de canais e aplique exclusões de canais e filtros de adequação onde a marca não deve aparecer.
- Marque a mesma revisão para daqui a 30 dias, na mesma ordem.
Se a campanha passar por essa revisão e ainda assim o resultado não fechar, o problema provavelmente está antes do Google Ads — na oferta, no site ou no repasse ao comercial. É para separar uma coisa da outra que existe o diagnóstico de marketing gratuito da Alliance, que avalia mídia, dados e conversão juntos. E, quando o passo seguinte for estruturar e operar as campanhas, é disso que trata a gestão de tráfego pago da Alliance: do diagnóstico à ação.

