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Marketing de influência: o que o novo guia do Conar exige

O marketing de influência ganhou guia novo do Conar em 2026. Ele muda o que precisa aparecer no post — e o que a marca contratante tem de registrar.

Resposta rápida

Marketing de influência é a estratégia em que uma marca se comunica pela voz de quem já tem audiência e credibilidade em um tema. Em maio de 2026, o Conar publicou uma nova versão do Guia de Marketing e Publicidade por Influenciadores Digitais, com efeitos a partir de 1º de junho de 2026, que atualiza o texto de 2020. Ele recomenda o uso das ferramentas de conteúdo pago das próprias plataformas e, na falta delas, a menção explícita de termos como #publi, visível em primeiro plano. Também trata de recebidos, de repost pela marca, de conteúdo feito com IA e de governança — e deixa claro que a responsabilidade não é só do influenciador.

A maioria dos conteúdos sobre marketing de influência ainda explica a mesma coisa: o que é, quais são os tipos de influenciador, como escolher e como medir. Quando chegam às regras, param no "#publi" — e alguns nem isso.

Só que as regras mudaram. Em maio de 2026 o Conar publicou uma versão nova do guia sobre publicidade por influenciadores, substituindo a de 2020, e ela trata de coisas que as campanhas fazem todo dia: post colaborativo, "recebidos", repost no perfil da marca, conteúdo feito com IA. E ela fala com a marca, não só com o creator.

O que é marketing de influência?

É a estratégia em que uma marca comunica pela voz de alguém que já reuniu audiência e credibilidade em determinado assunto. O valor não está no alcance — isso mídia paga também entrega — e sim na transferência de confiança: a recomendação vem de quem a audiência escolheu seguir.

É exatamente essa transferência de confiança que torna a identificação publicitária tão importante. Quando o público não sabe que aquilo é anúncio, a confiança que sustenta o formato é usada contra ele — e o problema deixa de ser ético para virar risco de reputação e de processo.

O que mudou com o guia do Conar de 2026?

O documento organiza o que estava disperso e endereça formatos que não existiam ou não eram relevantes em 2020.

O Guia de Marketing e Publicidade por Influenciadores Digitais do Conar foi aprovado pelo Conselho de Conteúdo em 11 de maio de 2026, publicado em 12 de maio de 2026, com vigência a partir da publicação e efeitos a partir de 1º de junho de 2026, atualizando o guia lançado em dezembro de 2020. Sobre a forma de identificação, o texto diz que, sempre que possível, é recomendável usar as funcionalidades de identificação de conteúdo comercial disponibilizadas pelas plataformas e que, alternativamente, recomenda-se a menção explícita dos termos indicados na tabela anexa, visível em primeiro plano, sem a necessidade de engajamento ou do acionamento de botão de "mais conteúdo". O guia também afirma que a mera presença da hashtag da marca ou o uso de funcionalidades como posts colaborativos podem não ser, por si só, suficientes para identificar o caráter publicitário do conteúdo.
Fonte: Conar, Guia de Marketing e Publicidade por Influenciadores Digitais, 2026 — íntegra do guia em PDF, disponível também em Diretrizes > Guias no site do Conar

Três consequências práticas saltam daí. A ferramenta nativa da plataforma — aquele selo de "parceria paga" — passa a ser o caminho preferencial. A hashtag precisa estar visível sem clique, o que elimina a prática de empilhar tags no fim da legenda, atrás do "ver mais". E o post colaborativo, sozinho, não cumpre o papel.

Vale um lembrete sobre a natureza do documento: o Conar é autorregulamentação publicitária. O guia usa "recomenda-se" em boa parte do texto, e a tabela anexa diz que traz orientações não prescritivas. Isso não o torna decorativo — ele é a régua que o Conselho de Ética usa ao analisar uma denúncia.

Diagrama das três categorias do guia do Conar de 2026: publicidade por influenciador, que exige identificação publicitária; mensagem ativada, como recebidos e convites, que exige menção da relação; e conteúdo espontâneo do usuário, que vira publicidade de primeira parte quando a marca o compartilha
Três categorias, três obrigações diferentes — e a terceira muda de natureza quando a marca reposta.

Como identificar o conteúdo publicitário na prática?

A regra de ouro do Código é antiga e simples: anúncio tem de ser reconhecível como anúncio, sem esforço de interpretação. O guia de 2026 apenas traduz isso para os formatos de hoje.

O que o guia indicaO que não resolve sozinho
Ferramenta de conteúdo pago da própria plataformahashtag da marca no meio da legenda
#publi ou #publicidade em primeiro planopost colaborativo (collab) sem identificação
Identificação visível sem clicar em "ver mais"tag escondida no fim do texto, atrás do "ver mais"
Termos em português, compreensíveis pela audiênciatermos em língua estrangeira, como #ad
Identificação presente em cada peça da campanhaaviso dado uma vez, num post anterior da série

Organização da Alliance a partir do Guia de Marketing e Publicidade por Influenciadores Digitais do Conar, 2026

O ponto do #ad merece destaque porque contraria uma recomendação repetida em muitos conteúdos do mercado: o guia observa que o uso de termos em língua estrangeira pode não ser considerado suficientemente compreensível. Em campanha para público brasileiro amplo, a versão em português é a escolha segura.

Diagrama de onde a identificação publicitária precisa aparecer em cada formato — imagem, vídeo, transmissão ao vivo, stories e post colaborativo — e o que não basta, como hashtag da marca, collab sozinho e termo em inglês
Cada formato tem um lugar certo para a identificação. O que não vale é depender do clique do público.

O que é "mensagem ativada" e por que ela importa?

É a categoria que resolve uma dúvida antiga do mercado: o post de "recebidos", o brinde, o convite, a viagem. Não houve contratação nem briefing, mas houve uma relação com a marca — e essa relação precisa aparecer.

Pelo guia de 2026, nas postagens de recebidos, brindes, viagens, hospedagens e convites, os referidos conteúdos não configuram anúncios, mas é necessária a menção da relação que originou a referência — a tabela prática sugere termos como #recebido e #conviteDeMarca. O guia também estabelece que o compartilhamento de conteúdo de usuários pelo anunciante em seus perfis passará a configurar divulgação de primeira parte, ficando essa postagem sujeita às normas aplicáveis à publicidade. Sobre inteligência artificial, determina que as regras se aplicam integralmente a conteúdos gerados, editados ou segmentados com uso de sistemas ou ferramentas de IA, e que influenciadores, anunciantes e agências permanecem responsáveis pelo seu resultado.
Fonte: Conar, Guia de Marketing e Publicidade por Influenciadores Digitais, 2026, itens sobre mensagem ativada, conteúdo de usuários e inteligência artificial — texto integral do guia

Para quem faz o envio de produtos, a consequência operacional é direta: a caixa que sai da empresa precisa sair com a orientação junto. Não é pedido de favor — é a informação que permite ao creator cumprir a recomendação.

Por que o repost no perfil da marca muda a natureza do conteúdo?

Porque, ao compartilhar no próprio perfil, o anunciante deixa de ser espectador e passa a ser emissor. O guia trata isso como divulgação de primeira parte, sujeita às normas de publicidade.

Na prática, significa que o conteúdo espontâneo de um cliente satisfeito — que era apenas opinião de terceiro — passa a responder pelas regras publicitárias quando vira post da marca. Promessa exagerada, comparação indevida ou afirmação sem comprovação deixam de ser problema do autor e passam a ser da empresa.

É um detalhe que escapa das equipes de social, acostumadas a repostar tudo o que é elogioso. Vale um filtro simples antes do compartilhamento: essa afirmação eu poderia fazer em um anúncio meu? Se a resposta for não, não reposte — assunto vizinho ao que tratamos em a linha entre branded content e publicidade.

E quando o conteúdo é feito com IA?

O guia é explícito: as regras valem integralmente para conteúdo gerado, editado ou segmentado com ferramentas de inteligência artificial, e influenciadores, anunciantes e agências continuam responsáveis pelo resultado.

Isso cobre três situações comuns hoje. A peça escrita ou ilustrada por IA e publicada pelo creator. A adaptação automática da mesma peça para vários públicos. E o influenciador virtual, personagem inteiramente criado — que não deixa de ser veículo publicitário por ser digital.

A leitura de fundo é conhecida de quem acompanha regulação de tecnologia: a ferramenta não transfere responsabilidade. Quem publica responde, independentemente de quem — ou o quê — escreveu.

De quem é a responsabilidade: da marca ou do influenciador?

Dos dois, e também da agência. Essa é a parte que mais surpreende quem trata influência como "contratou, publicou, acabou".

O Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária determina, no artigo 28, que o anúncio deve ser claramente distinguido como tal, seja qual for a sua forma ou meio de veiculação. E, no artigo 45, que a responsabilidade pela observância das normas de conduta estabelecidas no Código cabe ao anunciante e a sua agência, bem como ao veículo.
Fonte: Conar, Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, artigos 28 e 45, consultado em 22/09/2026 — códigos e anexos no site do Conar

Ou seja: se a peça de um creator é questionada, a marca não fica de fora do processo por ter delegado a execução. O guia reforça esse caminho ao tratar de governança — e aí entra a parte mais útil para quem contrata.

O que a marca precisa ter no processo?

O guia menciona que é relevante manter registros das medidas adotadas, que podem ser apresentados quando da análise de casos pelo Conselho de Ética. Traduzindo para a operação de uma campanha: quatro rotinas.

1. Curadoria antes do convite

Verificar histórico, temas sensíveis e episódios anteriores do perfil. Escolher por afinidade com a marca e não só por audiência — e registrar o critério usado na escolha.

2. Briefing com a regra escrita

O contrato e o briefing precisam dizer como identificar a publicidade naquele formato, o que não pode ser afirmado sobre o produto e o que fazer em caso de dúvida. Instrução verbal não é registro.

3. Acompanhamento das postagens

Conferir se a peça publicada saiu com a identificação combinada e se o conteúdo corresponde ao aprovado. É trabalho de poucos minutos por peça e é a etapa que quase sempre falta.

4. Registro das medidas

Guardar briefings, aprovações, prints das publicações e as correções solicitadas. Esse arquivo é o que demonstra diligência se a campanha for questionada — o mesmo princípio que vale no processo do Conar descrito em o que faz uma campanha sair do ar.

Quais erros mais aparecem nas campanhas?

  • Empilhar hashtags no fim da legenda, onde só aparecem depois do "ver mais".
  • Confiar que o post colaborativo, sozinho, identifica a publicidade.
  • Usar #ad em campanha para público amplo no Brasil.
  • Enviar produto sem orientar sobre a menção da relação nos "recebidos".
  • Repostar conteúdo de cliente com afirmação que a marca não poderia fazer em anúncio próprio.
  • Não guardar briefing, aprovações e prints — e ficar sem como demonstrar diligência depois.

O primeiro é o mais comum e o mais fácil de corrigir: mover a identificação para a primeira linha da legenda, ou usar a ferramenta da plataforma, resolve sem custo e sem perda de desempenho.

Por onde começar hoje

  1. Leia o guia atual e compare com o que a sua marca pede hoje nos briefings de influência.
  2. Padronize a identificação: ferramenta da plataforma quando existir, #publi em português e em primeiro plano quando não existir.
  3. Inclua no contrato a forma de identificação, o que não pode ser afirmado e a obrigação de correção.
  4. Crie a regra de envio de produtos, com a orientação sobre a menção da relação já na caixa.
  5. Defina o filtro de repost: só vai para o perfil da marca o que a marca poderia afirmar em anúncio próprio.
  6. Guarde os registros de cada campanha — briefing, aprovação, print e correções.

Marketing de influência bem-feito é operação, não sorte: curadoria, contrato, acompanhamento e registro. É assim que a Alliance trabalha influência e posicionamento de porta-vozes — com a régua do Conar dentro do processo, e não como checagem de última hora. Se a dúvida ainda for onde a influência entra na sua estratégia, o diagnóstico gratuito de marketing mostra em que etapa do funil ela teria mais efeito.

Marketing de influênciaConarInfluenciadoresPublicidade

Perguntas frequentes

O que é marketing de influência?+

É a estratégia em que a marca se comunica pela voz de alguém com audiência e credibilidade em um tema. O diferencial em relação à mídia tradicional é a transferência de confiança de quem recomenda — e é por isso que a identificação do conteúdo pago é parte essencial do formato.

O que diz o guia do Conar para influenciadores digitais de 2026?+

Publicado em 12 de maio de 2026, com efeitos a partir de 1º de junho, ele atualiza o guia de 2020. Recomenda usar as ferramentas de conteúdo pago das plataformas e, alternativamente, termos como #publi visíveis em primeiro plano, e afirma que hashtag da marca ou post colaborativo podem não bastar para identificar a publicidade.

#publi ou #ad: qual usar?+

Para público brasileiro, #publi ou #publicidade. O guia de 2026 observa que o uso de termos em língua estrangeira pode não ser considerado suficientemente compreensível, o que torna o #ad uma escolha arriscada em campanhas de alcance amplo no Brasil.

Post de "recebidos" precisa ser identificado?+

Pelo guia, recebidos, brindes, viagens e convites não configuram anúncio, mas é necessária a menção da relação que originou a publicação — com termos como #recebido ou #conviteDeMarca. A orientação deve acompanhar o envio feito pela marca.

A marca pode repostar o conteúdo de um cliente?+

Pode, mas o guia estabelece que o compartilhamento de conteúdo de usuários pelo anunciante em seus perfis passa a configurar divulgação de primeira parte, sujeita às normas de publicidade. Na prática, a marca assume o que foi afirmado naquele conteúdo.

As regras valem para conteúdo feito com IA?+

Sim. O guia afirma que as regras se aplicam integralmente a conteúdos gerados, editados ou segmentados com ferramentas de inteligência artificial, e que influenciadores, anunciantes e agências permanecem responsáveis pelo resultado. Isso cobre a peça escrita ou ilustrada por IA, a adaptação automática para públicos diferentes e também o influenciador virtual, que não deixa de ser veículo publicitário por ser um personagem digital. A ferramenta não transfere responsabilidade: quem publica responde.

De quem é a responsabilidade se a campanha for questionada?+

O Código do Conar atribui a observância das normas ao anunciante e à sua agência, além do veículo. Contratar um creator não transfere a responsabilidade da marca, o que torna a curadoria, o briefing escrito e o acompanhamento parte do trabalho.

Como medir o retorno do marketing de influência?+

Pelo objetivo declarado antes da campanha: alcance qualificado e lembrança para topo de funil; cliques, cadastros e vendas com código próprio para conversão. Medir tudo por engajamento é o erro que faz campanha cara parecer bem-sucedida sem mover negócio.

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