Quem procura "Make Integromat" quase sempre quer saber duas coisas: o que é essa ferramenta que trocou de nome e quanto ela vai custar. A primeira pergunta tem resposta curta. A segunda tem uma regra que os comparativos de plano não mostram, e é ela que faz um cenário de quatro módulos consumir trinta créditos numa única rodada.
A conta no Make não cresce com o número de vezes que o cenário roda, nem só com o número de módulos. Ela cresce com o número de bundles, os pacotes de dado que passam de um módulo para o outro. Quem entende isso consegue estimar o consumo antes de montar o fluxo, escolher o plano certo e desenhar o cenário para gastar menos. Quem não entende descobre no meio do mês, quando os créditos acabam.
O que é o Make, o antigo Integromat?
O Make é uma plataforma de automação sem código que conecta aplicativos e move dados entre eles. Até 2022 a ferramenta se chamava Integromat; o produto ganhou o nome Make e uma nova plataforma, e o termo antigo continua sendo usado na busca justamente porque muita gente conheceu a ferramenta pelo primeiro nome.
Cada automação no Make se chama cenário. Você monta o cenário num editor visual, arrastando módulos e ligando um ao outro: o primeiro vigia um sistema, os seguintes fazem algo com o dado que chegou. Os usos mais comuns em marketing e vendas são estes:
- levar o lead do formulário ou do anúncio para o CRM, com origem e campanha preenchidas;
- gerar um documento ou uma proposta a partir de uma resposta e enviá-lo por e-mail;
- distribuir leads entre vendedores conforme região, porte ou produto;
- consolidar pedidos, inscrições ou chamados numa planilha que alimenta um relatório;
- acionar uma etapa de IA para classificar, resumir ou responder um contato.
O ponto forte do Make é o editor visual para fluxos com muita ramificação: roteadores, filtros, repetições e tratamento de erro ficam à vista no mesmo desenho. O ponto que exige atenção é a cobrança, porque a unidade que ela mede não é a execução inteira, e sim cada vez que um módulo roda.
Como funciona um cenário no Make?
Todo cenário tem a mesma anatomia. Entender as peças é o primeiro passo para entender a fatura:
- Gatilho (trigger): o primeiro módulo, que traz o dado novo para dentro do cenário. Pode ser de verificação periódica (polling), que pergunta ao sistema de tempos em tempos se há algo novo, ou instantâneo, um webhook que recebe o aviso no momento em que o evento acontece.
- Módulos de ação e de busca: criam, atualizam, procuram ou enviam algo em outro aplicativo. Cada um faz uma coisa só.
- Ferramentas internas: módulos da própria Make que tratam o dado no caminho, como o Iterator, que quebra uma lista em vários itens, e o Aggregator, que junta vários itens num só.
- Roteadores e filtros: decidem por qual caminho o dado segue e barram o que não atende à condição.
- Agendamento: define de quanto em quanto tempo o cenário roda. Pela central de ajuda, o padrão é a cada 15 minutos, e o intervalo mínimo depende do plano.
Entre um módulo e outro circula o bundle. A Make define o bundle como um contêiner de dados relacionados: um e-mail, um contato, um arquivo, uma resposta de formulário. Se o gatilho encontrou dez respostas novas, ele entrega dez bundles ao módulo seguinte. É aqui que a conta começa a se mover.
Há ainda um limite de tempo: segundo a página de tipos de módulos da central de ajuda, uma execução de cenário pode durar no máximo 40 minutos. Cenário que processa muitos bundles com várias ações cada um pode bater nesse teto antes de terminar.
O que é crédito e o que é operação no Make?
Os dois termos convivem na plataforma e causam confusão porque parte do conteúdo que circula na internet ainda fala em "operações" e até em "transações" como se fossem o preço. Hoje a unidade de cobrança é o crédito.
A diferença entre os dois é de função. A operação registra o que aconteceu: um módulo rodou para processar ou verificar dados. O crédito registra quanto aquilo custou. Na maioria dos módulos, os dois números são iguais. Nos módulos de IA da própria Make, não são, e é aí que a estimativa precisa de outra régua.
Depois de rodar um cenário, o editor mostra uma bolha branca sobre cada módulo. O primeiro número é a quantidade de operações daquele módulo; o segundo, que pode ser ligado ao lado do nome do cenário, mostra os créditos consumidos. É o lugar mais confiável para conferir uma estimativa feita no papel.
Como o crédito se multiplica dentro do cenário?
A regra está escrita na central de ajuda e cabe em duas linhas. O gatilho roda uma vez por verificação, não importa quantos bundles traga. Todo módulo depois dele roda uma vez para cada bundle que recebe.
O exemplo da Make é um cenário comum: vigiar as respostas de um formulário, criar um documento para cada resposta, baixar o arquivo e enviá-lo por e-mail para quem respondeu. Com dez respostas na mesma rodada, o gatilho conta 1, e cada um dos três módulos seguintes conta 10. Com cem respostas, a mesma lógica dá 301. O número de módulos não mudou; mudou o número de bundles.
Três situações fazem os bundles se multiplicarem no meio do caminho, e não só na entrada:
- Iterator: transforma uma lista em itens separados. Um e-mail com cinco anexos vira cinco bundles, e todo módulo depois do Iterator roda cinco vezes.
- Módulos de busca: uma busca que devolve vinte registros entrega vinte bundles ao módulo seguinte.
- Roteador: o mesmo bundle pode seguir por mais de um caminho, e cada caminho tem seus próprios módulos rodando.
O efeito contrário existe e é a principal ferramenta de economia. Um Aggregator junta vários bundles num só, e daí em diante os módulos rodam uma vez. A própria central de ajuda dá o exemplo: um cenário que mandava um e-mail ao gerente para cada um de dez contatos novos passou a mandar um e-mail só com a lista, e a rodada caiu de 11 para 3 operações. Um filtro logo depois do gatilho também ajuda: o bundle barrado não chega ao módulo seguinte, e módulo que não roda não gera operação.
Quanto custa um gatilho que só verifica e não acha nada?
Esta é a parte da conta que pouca gente faz. O gatilho de verificação periódica pergunta ao sistema se há dado novo a cada intervalo agendado. Quando não há, a Make chama a rodada de check run: o gatilho rodou, não trouxe bundle, e o cenário parou ali. Pela regra das operações, essa verificação conta 1 operação.
Parece pouco até multiplicar pelo calendário. Com o agendamento padrão de 15 minutos, um único cenário verifica 96 vezes por dia, cerca de 2.880 vezes num mês de 30 dias. Isso antes de qualquer lead, pedido ou e-mail de verdade passar por ele. Cinco cenários assim, ligados o mês inteiro, consomem perto de 14.400 créditos só para perguntar se há novidade.
Há três saídas, e elas se combinam. A primeira é usar gatilho instantâneo sempre que o aplicativo oferecer: a página de webhooks da Make explica que, nesse caso, o sistema avisa a Make quando o evento acontece e o cenário roda na hora, sem rodadas de verificação vazias. A segunda é ajustar o intervalo ao que o negócio precisa: relatório diário não precisa de verificação a cada 15 minutos. A terceira é limitar o horário com data de início e fim, ou agendar só em dias úteis, quando o fluxo só tem movimento no expediente.
Um cuidado: no gatilho instantâneo a pressa vira outro risco. Segundo as configurações de cenário da central de ajuda, um cenário que começa com gatilho instantâneo é desativado logo no primeiro erro, sem as tentativas que o agendado tolera. Vale ligar o armazenamento de execuções incompletas para não perder o dado que chegou durante a falha.
Quanto custam os módulos de IA no Make?
Até aqui, a conta é previsível: conte os bundles, multiplique pelos módulos. Os módulos de IA mudam isso, porque parte deles não cobra um valor fixo por operação.
Na prática, o mesmo passo de IA pode ser cobrado de três jeitos, conforme a conexão escolhida no módulo:
| Tipo de conexão | Onde aparece | Como o crédito é contado | Quem cobra o token |
|---|---|---|---|
| Provedor de IA da Make | Make AI Agents e AI Toolkit, em todos os planos | Operações mais tokens consumidos, conforme o modelo | A Make, dentro do crédito |
| Conexão própria (OpenAI, Anthropic, Gemini) | Planos pagos | 1 crédito por operação | O provedor, na sua conta com ele |
| Conexão automática | AI Web Search, AI Content Extractor e o módulo Simple Text Prompt de alguns apps de IA | Tokens, operações e fatores de uso como páginas e tamanho | A Make, dentro do crédito |
| App de IA de terceiro com conexão criada por você | Módulos comuns de OpenAI, Claude, Gemini | 1 crédito por operação | O provedor |
Com o provedor da Make, o crédito depende do modelo. A tabela publicada na página de créditos mostra, por exemplo, que no nível Small um crédito cobre 18.080 tokens de entrada, e no nível Large, 3.616. A própria Make avisa que os modelos e as taxas de conversão mudam conforme novos modelos chegam, então a tabela deve ser consultada no momento da estimativa, não decorada.
Para ter ideia de tamanho, a Make lembra que, em inglês, um token equivale a cerca de quatro caracteres e cem tokens equivalem mais ou menos a um parágrafo. Prompt longo, histórico de conversa, arquivo anexado e resposta extensa aumentam o consumo. E a regra do bundle continua valendo por cima: um módulo de IA depois de um Iterator roda uma vez por item, e cada rodada consome seus próprios tokens.
Os agentes seguem a mesma lógica. A página de consumo dos agentes de IA detalha que rodar um agente com o provedor da Make custa 1 crédito por operação mais os tokens, e que cada ferramenta chamada pelo agente no chat soma operações próprias. Quem quer saber se um agente é a resposta certa para o problema pode ler antes quando usar agente de IA e quando basta um fluxo automatizado.
Como estimar o consumo antes de montar o cenário?
A estimativa cabe numa folha de papel. O objetivo não é acertar o número exato, e sim saber a ordem de grandeza antes de escolher o plano e de ligar o cenário em produção.
1. Desenhe o cenário módulo a módulo
Liste o gatilho e cada módulo na ordem. Marque quais são ferramentas que multiplicam (Iterator, buscas, roteadores) e quais juntam (Aggregator). Marque também os módulos de IA e o tipo de conexão de cada um.
2. Conte as verificações do gatilho
Se o gatilho for de verificação periódica, divida os minutos do período em que o cenário fica ligado pelo intervalo. Se for instantâneo, conte só os eventos reais. Esse número é o piso da conta, mesmo num mês sem movimento.
3. Estime os bundles que entram
Use o histórico do sistema de origem: quantos leads, pedidos, respostas ou e-mails chegam por mês. Esse é o número que cada módulo seguinte vai multiplicar.
4. Multiplique por módulo e aplique os multiplicadores do meio
Para cada módulo depois do gatilho, multiplique os bundles que chegam a ele. Depois de um Iterator, multiplique pelo tamanho médio da lista. Depois de um filtro, reduza pela parte que costuma ser barrada. Depois de um Aggregator, conte uma operação por grupo.
5. Some a parte de IA à parte
Para módulos com crédito fixo, a conta já está feita. Para os de crédito dinâmico, faça um teste com dados reais, leia o número de créditos na bolha do módulo e multiplique pela quantidade de bundles do mês. Some uma folga, porque o tamanho dos textos varia.
Um exemplo simples: um cenário de captação com gatilho instantâneo, um filtro, a criação do contato no CRM e o aviso ao vendedor, recebendo 400 leads por mês, dos quais 100 são barrados pelo filtro. São 400 operações do gatilho, 300 para criar o contato e 300 para avisar, cerca de 1.000 créditos. Troque o gatilho por um de verificação a cada 15 minutos e a conta passa a incluir perto de 2.880 verificações, a maioria vazias.
O Make é gratuito e quanto custa?
O Make tem um plano gratuito. A página de cancelamento de assinatura da central de ajuda descreve o Free como a assinatura padrão de 1.000 créditos por mês, para a qual a conta volta quando um plano pago é cancelado. Os planos pagos citados na documentação são Core, Pro, Teams e Enterprise, e dentro de cada plano há faixas de créditos por mês.
Com a regra do bundle, fica claro por que 1.000 créditos acabam rápido: um único cenário com gatilho de verificação a cada 15 minutos, ligado o mês todo, já passa desse volume só em verificações. O Free serve para aprender, testar e rodar fluxos de baixo volume com gatilho instantâneo. Para operação comercial contínua, a conta precisa ser feita.
Os preços em dólar dos planos pagos ficam na página de preços da Make e mudam com a faixa de créditos escolhida. Não vamos repeti-los aqui porque não conseguimos conferir a página no dia desta publicação; consulte o valor direto na fonte antes de orçar. O que a central de ajuda deixa claro, e vale para qualquer plano, é o que acontece quando os créditos acabam:
- em planos pagos, é possível comprar créditos extras em lotes de 1.000, com custo 25% acima do crédito do plano;
- a compra automática, se ligada, adquire lotes de 10.000 créditos e tem como teto o volume de créditos da própria assinatura;
- créditos extras valem só até o fim do ciclo de cobrança e não passam para o mês seguinte;
- se o pagamento falhar, os cenários ficam pausados até a forma de pagamento ser atualizada.
As regras estão na página de créditos extras da Make, que também recomenda subir de plano quando a compra de extras vira rotina, já que faixas maiores têm custo por crédito menor.
Make, Zapier ou n8n: qual escolher?
A diferença que mais pesa entre os três é a unidade de cobrança. O Zapier cobra por tarefa, isto é, por ação concluída, e tem regras próprias para quando a cota acaba. O n8n cobra a execução inteira do fluxo na nuvem e tem uma edição que roda no seu servidor. O Make cobra cada vez que um módulo roda, e por isso o número de bundles manda na conta.
| Make | Zapier | n8n (nuvem) | |
|---|---|---|---|
| Unidade de cobrança | Crédito: 1 por operação de módulo, variável na IA | Tarefa: cada ação concluída | Execução do fluxo inteiro |
| O que faz a conta crescer | Bundles que passam por cada módulo | Ações por Zap vezes execuções | Número de rodadas |
| Onde roda | Nuvem da Make | Nuvem do Zapier | Nuvem do n8n ou servidor próprio |
| Ponto forte | Editor visual para fluxos ramificados | Curva de aprendizado curta | Fluxos longos, código e hospedagem própria |
| Cuidado principal | Iterator e busca antes de muitos módulos | Zap longo rodando muitas vezes | Manter o servidor se for self-hosted |
Uma regra de bolso: fluxo curto e de baixo volume roda bem em qualquer um, e a escolha pode ser pela familiaridade da equipe. Fluxo com muitos itens por rodada, como listas, anexos e linhas de planilha, pede atenção redobrada no Make, porque é exatamente aí que a multiplicação acontece; um Aggregator bem posicionado muda o resultado. Se a empresa já vive no Microsoft 365, o Power Automate entra na comparação por estar perto dos dados.
Mais do que a ferramenta, o que define o custo é o desenho do processo. Um levantamento do custo das ferramentas no-code ao longo do tempo ajuda a ver a conta que vem depois da assinatura: manutenção, falhas e quem cuida de cada fluxo.
O Make funciona com WhatsApp?
Funciona, pela API oficial. O app WhatsApp Business Cloud da Make permite monitorar eventos, enviar mensagens e mensagens de modelo, subir e baixar mídia e atualizar o perfil comercial. Para usar, é preciso conta no Facebook, portfólio no Meta Business Suite e um número válido de WhatsApp Business.
A documentação lembra que a Meta revisa a empresa e o nome de exibição antes de liberar o envio, e que durante a revisão só é possível mandar algumas mensagens de teste por dia. Vale lembrar também que o crédito da Make não paga a mensagem: as mensagens pela API têm cobrança própria da Meta, tema que tratamos em o que se paga na API do WhatsApp Business. E a regra do bundle se aplica: um disparo para uma lista de 500 contatos é um módulo rodando 500 vezes.
Quais erros mais inflam a conta no Make?
Os erros que mais inflam a conta raramente são da ferramenta. Quase sempre estão no desenho do cenário:
- Deixar o agendamento padrão em tudo. Cenário de relatório semanal verificando a cada 15 minutos gasta o mês inteiro perguntando se há novidade.
- Filtrar no fim, não no começo. Se o lead fora do perfil só é descartado no último módulo, ele já pagou todos os anteriores.
- Mandar um item por vez quando um resumo basta. Dez avisos separados para a mesma pessoa custam dez operações; um aviso com a lista custa uma.
- Colocar IA dentro de um Iterator sem medir. Cada item da lista dispara uma chamada com tokens próprios, e o crédito dinâmico só aparece depois.
- Ligar a compra automática sem dono. Ela mantém os cenários rodando, mas com custo 25% maior por crédito, e ninguém percebe até a fatura.
- Não guardar execuções incompletas. Sem esse recurso ligado, um erro pode interromper o fluxo e o dado que estava passando se perde.
Uma observação sobre o botão Stop: segundo a página de operações, se você interrompe um cenário em andamento, o módulo que está rodando termina de processar todos os seus bundles antes de parar. Num módulo com centenas de itens, parar não é instantâneo, e as operações daquele módulo são contadas.
Por onde começar hoje
Se você já usa o Make, abra o painel da organização e veja quais cenários mais consomem créditos. Em cada um, confira três coisas: o tipo de gatilho e o intervalo, onde estão os filtros e se existe algum Iterator ou busca antes de vários módulos. Esses três pontos explicam a maior parte das contas que fogem do previsto.
Se ainda está escolhendo a ferramenta, faça a estimativa do passo a passo acima para os dois ou três fluxos mais importantes antes de assinar. A conta mostra o plano necessário e, às vezes, mostra que o problema não é de ferramenta, e sim de processo mal desenhado.
A Alliance desenha e implanta automações a partir do processo, não da ferramenta: mapeamos o fluxo, estimamos o consumo e escolhemos a plataforma que custa menos para o volume real. Conheça o serviço de automação de processos da Alliance ou comece pelo diagnóstico de marketing gratuito, que aponta onde a automação gera mais retorno na sua operação.

