Quem abre o Bolt pela primeira vez costuma sair impressionado: digita o que quer, e em poucos minutos aparece uma tela funcionando, com código de verdade por trás. A conta chega depois, e chega de um jeito que pouca gente antecipa. O saldo de tokens que parecia folgado no primeiro fim de semana começa a acabar no meio do mês, sem que o ritmo de pedidos tenha mudado.
A explicação não está no preço, está no mecanismo. Este guia mostra o que é o Bolt new, quanto custa cada plano, como o consumo de tokens funciona por dentro, o que dá para fazer sem gastar nada, o que mais queima saldo, o que se perde ao cancelar e o ponto em que vale levar o projeto para um repositório e seguir em código.
O que é o Bolt new?
O Bolt new (escrito também Bolt.new) é um construtor de aplicações com IA. Você descreve o que precisa numa conversa, e um agente gera e altera o código do projeto: páginas, componentes, regras, banco de dados e login. A própria central de ajuda resume o alcance como sites e apps, incluindo sites de marketing, portfólios, lojas virtuais, painéis e ferramentas internas.
A diferença para um construtor de sites tradicional é que o resultado é código editável, não um layout preso a um editor visual. Dá para abrir os arquivos, mudar à mão, conectar um repositório no GitHub e levar o projeto para fora. Isso faz do Bolt uma ponte entre o no-code, em que ninguém precisa programar, e o desenvolvimento normal, em que alguém precisa entender o que foi gerado.
Na prática, ele concorre com ferramentas como o Lovable e com o trabalho de um time de produto nas primeiras semanas de um projeto: protótipo para validar ideia, página de campanha, painel interno simples, MVP para mostrar a investidor ou a cliente.
Como o Bolt new funciona por dentro?
O fluxo tem três peças que convém separar desde o começo, porque cada uma tem um custo diferente:
- O modo de planejamento (Plan). Você conversa sobre a ideia antes de qualquer código ser escrito. Ele não altera o projeto e, segundo o guia oficial de eficiência, é mais econômico do que o modo de construção, embora também consuma tokens.
- O modo de construção (Build). Cada prompt enviado aqui altera o código e consome tokens. É onde o app nasce e onde a maior parte do saldo vai embora.
- A visão de código (Code view). Os arquivos do projeto ficam acessíveis para edição direta. Mexer neles à mão não passa pela IA e, por isso, não gasta token.
Em volta disso há a camada de produção: hospedagem com endereço gratuito no domínio bolt.host, domínio próprio nos planos pagos, banco de dados criado quando o projeto precisa de um, conectores para trazer informação de outras ferramentas e a integração com o GitHub. O guia também permite escolher o agente: um padrão, para tarefas comuns, e um mais potente, indicado para tarefas complexas, que pode gastar mais do que o necessário se usado em pedidos simples.
O Bolt new é gratuito? Quanto custa cada plano?
Existe plano gratuito de verdade, sem cartão, mas com dois limites que andam juntos: o mensal e o diário. Os planos pagos tiram o limite diário, multiplicam o saldo e liberam domínio próprio, conectores e modelos mais novos. Os valores abaixo são os da página oficial de preços, consultada em outubro de 2026, que exibe o preço do plano anual:
| Free | Pro | Teams | |
|---|---|---|---|
| Preço | US$ 0 | US$ 18/mês no plano anual | US$ 27 por membro/mês no anual |
| Tokens por mês | 1 milhão | 10 milhões | a partir de 10 milhões por membro |
| Limite diário | 300 mil tokens | sem limite diário | sem limite diário |
| Tokens não usados | não acumulam | acumulam e valem dois meses | acumulam, ligados a cada membro |
| Domínio próprio | não | sim | sim |
| Marca do Bolt removida | não | sim | sim |
| Conectores e MCPs | não | sim | sim |
| Limite de upload de arquivo | 10 MB | 100 MB | 100 MB |
Página oficial de preços do Bolt e central de ajuda (Tokens), consultadas em outubro de 2026. Preços em dólar, sem impostos.
Um detalhe que muitos guias ainda erram: o teto diário do plano gratuito citado em várias análises, de 150 mil tokens, está desatualizado. O número atual da central de ajuda é de 300 mil tokens por dia, dentro de um total de 1 milhão por mês, com renovação no dia 1º de cada mês civil. Nos planos pagos, a renovação acontece na data de aniversário da assinatura.
E quando o saldo acaba antes do fim do mês?
Há três saídas. A primeira é esperar a renovação. A segunda é subir de plano, que a própria central descreve como o caminho mais econômico. A terceira é a recarga de tokens, disponível só no plano Pro mensal de nível mais alto ou em qualquer Pro anual; os tokens recarregados não expiram, e o preço por bloco de 10 milhões aparece na hora da compra e cai nos níveis anuais maiores. No plano gratuito, quem bate o teto diário ainda pode editar o código existente na visão de código sem gastar nada.
Como funciona o consumo de tokens do Bolt new?
Token é um pedaço de texto: uma palavra curta e comum costuma valer um token, e palavras longas ou raras se dividem em vários. O Bolt gasta tokens quando lê, pensa e constrói. Até aqui, nada diferente de qualquer ferramenta de IA. A diferença está em o que ele precisa ler a cada pedido.
Traduzindo para orçamento: o seu prompt é a parte pequena da conta. A parte grande é o contexto que o agente carrega para entender onde mexer, e esse contexto é o próprio projeto. Cada tela nova, cada componente, cada arquivo de configuração entra na pilha que precisa ser lida e mantida em sincronia. O custo de um pedido não é fixo; ele acompanha o tamanho do que já foi construído.
É o mesmo fenômeno que aparece em qualquer modelo de linguagem com contexto longo, tema que detalhamos no guia sobre janela de contexto e o que a IA esquece no meio. No Bolt, ele tem efeito direto no bolso, porque cada leitura é cobrada.
Por que a mesma frase custa mais na semana 6?
Imagine o pedido “troque a cor do botão de contato para verde”. Na primeira semana, o projeto tem a página inicial e um formulário. Na sexta, tem área logada, painel, integração com pagamento, dez telas e dezenas de componentes. A frase é idêntica, mas o agente agora precisa percorrer muito mais material para achar o botão certo e garantir que a mudança não quebra nada.
É isso que faz o saldo “derreter” sem que o time perceba mudança de comportamento. O planejamento feito com base nas primeiras semanas, do tipo “gastamos tanto em sete dias, então o mês cabe no plano”, subestima o consumo do segundo mês. A curva não é reta; ela sobe junto com o app.
Três consequências práticas para quem vai orçar:
- Não estime por número de mensagens. Estime por fase do projeto: protótipo enxuto gasta pouco por pedido; produto com muitas telas gasta muito mais pelo mesmo pedido.
- Reserve folga para o meio do projeto. É quando o app já está grande e ainda recebe muitos ajustes, a combinação mais cara.
- Mantenha o projeto magro. O guia oficial recomenda remover arquivos sem uso e dividir arquivos grandes em menores, porque projetos menores consomem menos tokens.
O que não gasta token no Bolt?
Saber o que é gratuito é a forma mais barata de economizar. Pelo guia oficial de eficiência e pela página de tokens, estas ações não passam pela IA:
- Clicar em botões e ações embutidas, como publicar o site ou abrir o histórico de versões. O guia é direto: clicar não consome tokens; enviar prompt, sim.
- Voltar a uma versão anterior pelo histórico de versões. É a recomendação oficial no lugar de pedir ao Bolt que “desfaça” uma mudança que você não gostou — pedir desfazer é um prompt, e prompt custa.
- Editar o código diretamente na visão de código. A central de ajuda cita essa saída inclusive para quem bateu o limite diário do plano gratuito.
- Ler e revisar o projeto. Abrir arquivos, testar o app no preview e navegar pelas telas não envia nada ao agente.
A regra que resume tudo: token é gasto quando a IA precisa ler o projeto para agir. Toda ação que você consegue fazer sem pedir nada a ela sai de graça.
O que mais gasta token no Bolt, e como evitar?
Os vazamentos mais comuns aparecem justamente nos momentos de pressa. Cada um tem uma alternativa mais barata:
1. Clicar em Attempt fix em sequência
Quando o app dá erro, o Bolt oferece um botão de conserto automático. Cada tentativa consome tokens, e o guia oficial pede explicitamente para não clicar repetidamente esperando que uma hora funcione. Se duas tentativas não resolveram, leia o erro, use o modo de planejamento para entender a causa ou peça ao Bolt para adicionar registros detalhados (logs) no trecho problemático antes da próxima correção.
2. Deixar conectores ligados sem uso
Conectores trazem informação de ferramentas externas para dentro do contexto, e todo contexto extra é lido a cada pedido. A recomendação oficial é ligar conectores num projeto só quando forem necessários. Terminou a tarefa que precisava deles, desligue.
3. Pedidos vagos que obrigam o agente a vasculhar tudo
“Arrume o layout” manda o agente procurar no projeto inteiro. “No componente do cabeçalho, alinhe o logo à esquerda” aponta o arquivo. O guia recomenda prompts específicos, que indiquem arquivos ou funções em vez do código todo, e funcionalidades adicionadas uma de cada vez, com teste depois de cada uma.
4. Usar o agente mais potente para tarefa simples
O agente mais robusto é indicado para tarefas complexas. Usá-lo para trocar um texto ou ajustar um espaçamento pode gastar mais do que o necessário. Escolha o agente pela dificuldade do pedido, não por hábito.
5. Conversa longa sem limpar o contexto
O guia oficial cita a limpeza de contexto como forma de reduzir os tokens usados em cada pedido. Quando a conversa já passou por muitos assuntos, recomeçar com um resumo do estado atual costuma sair mais barato do que arrastar todo o histórico.
Como funciona o acúmulo de tokens e o que se perde ao cancelar?
Aqui mora a regra que mais pesa em decisão de assinatura, e que os guias mais lidos não explicam. Nos planos pagos, tokens não usados acumulam e valem por dois meses a partir do início do ciclo de cobrança em que foram recebidos. O consumo segue a ordem de chegada: os tokens mais antigos são usados primeiro. No plano gratuito não há acúmulo; cada mês é um balde fechado.
| Situação | O que acontece com os tokens |
|---|---|
| Mês com sobra no plano pago | A sobra acumula e vale até dois meses após o início do ciclo em que foi recebida |
| Upgrade no meio do ciclo | Os tokens valem dois meses contados do início do ciclo, não da data do upgrade |
| Downgrade para plano pago menor | Os tokens do plano maior seguem válidos até expirar; a nova cota começa na renovação seguinte |
| Cancelamento | Todos os tokens alocados, inclusive os acumulados, se perdem no fim do ciclo |
| Reassinatura antes de expirar | O acesso aos tokens ainda dentro da validade é restaurado |
| Plano anual | Cobrança dos 12 meses na contratação; tokens liberados mês a mês, com a mesma validade de dois meses |
| Tokens de recarga | Não expiram |
Bolt, central de ajuda, “Tokens” (2026).
Duas leituras para quem decide. A primeira: acumular saldo “para depois” tem prazo. Quem deixa um projeto parado por um trimestre perde a sobra do primeiro mês. A segunda: cancelar não congela nada. Se a ideia é pausar o projeto e voltar, cancelar zera o saldo no fim do ciclo, e só uma reassinatura dentro da validade devolve o que ainda não venceu. Em times, os tokens ficam vinculados a cada membro que os recebeu, o que muda a conta quando alguém sai da equipe.
Vale também uma nota sobre o plano anual: ele é cobrado de uma vez, mas não entrega o ano todo de tokens no primeiro dia. A cota continua chegando mês a mês, com a mesma regra de validade.
Bolt new ou Lovable: qual escolher?
As duas ferramentas resolvem o mesmo problema — gerar app por conversa, com código editável e banco de dados — e por isso a comparação aparece em quase toda busca. A diferença que mais importa para orçamento é a unidade de cobrança e o que ela paga. No Bolt, a conta é em tokens e cresce com o tamanho do projeto. No Lovable, como mostramos no guia sobre o saldo que o app do Lovable divide com o editor, a cobrança é em créditos, e o mesmo saldo paga a construção e a operação do app publicado.
Na escolha, três perguntas ajudam mais do que tabela de recursos:
- Quanto o projeto vai crescer? App que vai ganhar muitas telas tende a encarecer cada pedido no Bolt; vale testar os dois com o mesmo escopo e comparar o consumo no segundo mês, não no primeiro dia.
- Quem vai mexer no código? Se há alguém técnico no time, a edição direta e a integração com o GitHub reduzem a dependência de prompts em qualquer uma das duas.
- O que acontece quando o saldo acaba? No Bolt, o saldo paga o trabalho do agente; no Lovable, segundo a documentação analisada no nosso guia, o mesmo saldo também mantém o app no ar. É a pergunta que define o risco operacional.
Não existe vencedor universal. Para protótipo rápido de vida curta, qualquer uma serve. Para produto que vai crescer, a decisão é sobre custo no meio do projeto e sobre a facilidade de sair dela — o que leva ao próximo ponto.
Como exportar o código do Bolt new para o GitHub?
A integração oficial com o GitHub é o caminho para ter o código fora da plataforma. Segundo a documentação de integração Git do Bolt, o processo é este:
- No projeto, clique no ícone do GitHub, no canto superior direito, e conecte a sua conta instalando o aplicativo do GitHub. Você escolhe se o Bolt acessa todos os repositórios ou só alguns.
- Dê um nome ao repositório e clique em criar. Ele nasce privado, na branch main.
- A partir daí, o Bolt cria um commit cada vez que uma mudança não quebra o projeto e mostra “Synced to GitHub” quando tudo foi enviado.
- O caminho inverso também funciona: o Bolt verifica o GitHub a cada 30 segundos e traz mudanças feitas fora dele.
Três cuidados antes de depender disso. O Bolt permite criar e trocar de branch, mas não faz merge dentro da ferramenta; isso é feito no GitHub. Em caso raro de edição simultânea nos dois lados, o Bolt mantém a versão dele e sobrescreve a do GitHub. E desconectar um projeto remove a ligação de forma permanente: para religar ao mesmo repositório, é preciso falar com o suporte.
E o banco de dados, sai junto?
Código e dados são coisas diferentes. Segundo a central de ajuda, projetos novos usam por padrão um banco de dados do próprio Bolt. Nos planos Pro e Teams, é possível “reivindicar” esse banco para uma conta própria no Supabase. O alerta oficial é importante: conectar um banco do Supabase a um projeto que já tem banco do Bolt substitui a conexão e pode causar perda de dados. Quem quer manter os dados deve usar a reivindicação, não a troca.
Quando vale tirar o projeto do Bolt e seguir em código?
O Bolt é excelente para ir do zero a algo que funciona. Ele fica caro e frágil quando o projeto vira produto e o time passa a gastar mais tempo conversando com o agente do que construindo. Três sinais costumam indicar a hora:
- O conserto virou loop. O mesmo erro volta depois de várias tentativas automáticas. É o cenário em que o guia oficial já manda investigar e corrigir à mão — e corrigir à mão é trabalho de quem lê código.
- Cada pedido pesa mais. O projeto cresceu a ponto de pequenas mudanças consumirem uma fatia relevante do saldo mensal.
- Entra gente técnica. Revisão de código, testes automatizados e merge de branches pedem um fluxo que o chat não oferece.
Com dois desses sinais juntos, o caminho mais seguro é tornar o repositório no GitHub a fonte oficial do projeto e passar a desenvolver num editor de código, com o Bolt reservado para experimentos. É exatamente a transição que um time de low-code e no-code com saída para código desenha desde o início, para que o protótipo não vire uma dívida técnica.
O Bolt cobra pelo que precisa reler. Quando o projeto fica grande demais para reler barato, ele já deveria estar num repositório.
O Bolt new vale a pena para empresa?
Vale, desde que a empresa saiba para que o está usando. Para validar uma ideia em dias, montar uma página de campanha, criar um painel interno simples ou mostrar um MVP, o custo é baixo e a velocidade é difícil de igualar. O risco aparece quando o protótipo vira produto sem que ninguém decida isso: o saldo começa a sumir, os consertos automáticos se repetem e o conhecimento do sistema fica só dentro das conversas com o agente.
Também vale lembrar o que a ferramenta não resolve: definição de público, oferta, mensagem e funil. Um app bonito sem estratégia de aquisição continua sem usuários. Se a dúvida é por onde o marketing da empresa deve começar, o diagnóstico de marketing gratuito devolve as prioridades na ordem certa antes de qualquer linha de código.
Por onde começar hoje
- Comece no plano gratuito e use o modo de planejamento para fechar escopo, telas e funcionalidades antes de construir.
- Construa por partes: páginas centrais e navegação primeiro, depois uma funcionalidade por vez, testando cada uma.
- Conecte o GitHub logo no início, para que o código já nasça num repositório privado seu.
- Use o histórico de versões para desfazer e a visão de código para ajustes pequenos; reserve prompts para o que exige a IA.
- Anote o saldo antes e depois de pedidos parecidos ao longo das semanas, para enxergar a curva de custo do seu projeto.
- Se for assinar, lembre que a sobra vale dois meses e que cancelar zera o saldo no fim do ciclo.
- Defina desde já o critério de saída para o código, para que a decisão não seja tomada no meio de um loop de erro.
O Bolt new encurta o caminho entre a ideia e a tela funcionando. Quem entende que a conta acompanha o tamanho do projeto, e não o número de mensagens, consegue aproveitar essa velocidade sem ser surpreendido no segundo mês.

