Quem pesquisa como anunciar no Google encontra quase sempre o mesmo roteiro: crie a conta, escolha o objetivo, defina as palavras-chave, escreva o anúncio, ajuste o lance e o orçamento. O roteiro está certo. Ele só começa tarde demais, porque pressupõe que o anúncio vai rodar assim que for publicado.
Na prática, entre publicar e aparecer existe uma fila de checagens que nenhum dos guias mais lidos explica: a verificação do anunciante, a revisão de política e, quando algo dá errado, a suspensão da conta. Este artigo traz o passo a passo completo, com o que vem antes dele: o que preparar para não travar, as violações que mais derrubam anúncios no Brasil e o que fazer se a conta for pausada ou suspensa.
O que é preciso para anunciar no Google?
Anunciar no Google significa, na prática, usar o Google Ads, a plataforma de publicidade que exibe anúncios na Pesquisa, no YouTube, em sites parceiros e em outros espaços do Google. Pela Central de Ajuda, o cadastro pede uma Conta do Google, as informações comerciais (nome e URL da empresa), as metas e o orçamento da campanha e uma forma de pagamento. O e-mail de cadastro também precisa ser confirmado.
Essa é a lista do formulário. A lista real é um pouco maior, porque o Google também confere quem está anunciando. Para não travar no meio do caminho, vale ter em mãos, antes de clicar em “Iniciar agora”:
- O nome legal da empresa, escrito exatamente como está no documento oficial e como vai aparecer no perfil de pagamentos.
- Um documento válido que comprove a existência da organização, para quando a verificação for pedida.
- Um site ou página de destino que funcione, carregue bem no celular e deixe claro quem vende, o que vende e como entrar em contato.
- Uma forma de pagamento em nome da mesma pessoa ou empresa que anuncia.
- Uma meta clara: ligações, contatos pelo site, visitas à loja ou vendas on-line.
Os três primeiros itens são justamente os que o passo a passo comum ignora, e são os que mais aparecem quando uma conta nova para de veicular sem explicação aparente.
Como anunciar no Google Ads passo a passo?
O fluxo abaixo segue a documentação do Google para quem cria a conta pela primeira vez e para quem já tem conta e abre uma campanha nova. Os nomes dos botões podem mudar com atualizações da interface, mas a sequência é a mesma.
1. Crie a conta e informe os dados da empresa
Acesse a página inicial do Google Ads, clique em “Iniciar agora” e entre com uma Conta do Google. O sistema pede o nome e o URL da empresa e permite vincular o Perfil da Empresa no Google e um canal do YouTube. Use a conta de e-mail da empresa, não a pessoal de um funcionário: quem controla o login controla o histórico e o acesso à conta.
2. Configure o faturamento com o nome certo
Na etapa de faturamento, você escolhe o país, confere o fuso horário (ele afeta relatórios e cobranças), define o perfil de pagamentos e o tipo de conta e insere a forma de pagamento. É aqui que nasce o problema mais comum da verificação: o nome do perfil de pagamentos diferente do nome que está no documento da empresa.
3. Escolha o objetivo e o tipo de campanha
Em “Nova campanha”, o Google pede primeiro o objetivo e, depois, o tipo de campanha. A documentação cita Pesquisa (anúncios de texto nos resultados de busca), Display, Vídeo no YouTube, Shopping, Geração de demanda, App, Inteligente e Performance Max. Para quem está começando com orçamento curto, a campanha de Pesquisa costuma ser o ponto de partida mais legível, porque o anúncio responde a uma busca que você escolheu.
4. Defina local, orçamento e lance
Escolha onde o anúncio pode aparecer, quanto quer gastar por dia em média e a estratégia de lances. Restrinja a região ao lugar onde a empresa realmente atende: anunciar para o país inteiro com orçamento de bairro dilui a verba antes de ela gerar aprendizado.
5. Monte palavras-chave e anúncios
Agrupe as palavras-chave por intenção (um grupo para cada serviço ou produto), escreva anúncios que repitam a promessa da página de destino e acrescente palavras-chave negativas para os termos que não interessam. Cada promessa do anúncio precisa existir na página para onde ele leva, e esse detalhe pesa na revisão de política, como mostramos adiante.
6. Corrija os avisos e publique
Antes de publicar, a interface mostra avisos de orientação. Resolva todos. Depois de publicado, o anúncio entra em revisão: segundo a Central de Ajuda, a maioria é analisada em até um dia útil, e qualquer edição no anúncio ou nos recursos reinicia essa análise.
7. Instale a medição de conversões
A configuração de conversões aparece como etapa opcional no cadastro, mas sem ela você paga cliques sem saber quais viraram contato ou venda. Instale a tag do Google e defina o que conta como resultado antes de aumentar o orçamento.
O que acontece entre publicar o anúncio e o primeiro clique?
Publicar não é veicular. Entre um e outro, o anúncio atravessa etapas que decidem se ele vai rodar, e só então chega ao leilão, que decide quanto ele vai custar. A maior parte do conteúdo sobre Google Ads fala do leilão. A maior parte das contas novas trava antes dele.
Na revisão de política, o Google analisa o anúncio e o destino. Enquanto isso, o status aparece como “Em revisão”; se tudo estiver certo, passa a “Qualificado” e começa a veicular; se houver violação, vira “Reprovado” e não aparece em lugar nenhum. A própria Central de Ajuda recomenda conferir o status se a revisão passar de dois dias úteis e procurar o suporte se passar de uma semana.
A página de destino é revisada junto. Pelos requisitos de destino do Google Ads, são reprovados, entre outros, sites que não funcionam ou retornam erro ao rastreador do Google, páginas “em construção”, destinos bloqueados ao rastreamento, URL de visualização com domínio diferente do URL final e páginas com pop-ups que impedem a saída ou carregam devagar demais. Uma landing page bem resolvida é, antes de tudo, a que passa nessa revisão.
Por que o Google suspende tantas contas de anunciante?
Porque a fiscalização deixou de ser só sobre o anúncio e passou a olhar também para quem anuncia. O relatório anual de segurança de anúncios do Google, publicado em abril de 2026, dá a dimensão do volume no mundo e no Brasil.
O mesmo relatório diz que o programa de verificação do anunciante funciona como uma camada de prevenção, validando identidades para manter maus atores fora e mostrar ao público quem está por trás de cada anúncio. Em outras palavras: a verificação não é burocracia lateral, é parte central de como o Google decide quem pode anunciar.
A queda de 80% nas suspensões incorretas é uma boa notícia para o anunciante legítimo, mas não significa que o risco sumiu. Significa que o Google está mais preciso em separar quem viola de quem não viola. Para quem viola, mesmo sem querer, o efeito continua sendo a conta fora do ar.
Quais violações mais derrubam anúncios no Brasil?
O Google publica um recorte por país. O do Brasil é curto, mas traz os dois números que interessam a quem vai abrir uma conta e a ordem das violações mais frequentes.
Três das cinco categorias (conteúdo sexual, jogos de azar e encontros) são de setores específicos, com regras próprias. As duas primeiras são as que pegam a empresa comum, porque falam de como se anuncia, não do que se vende. A tabela resume o que cada uma cobre, segundo as páginas oficiais de política.
| Política | O que ela cobre | Exemplos que a Central de Ajuda cita |
|---|---|---|
| Deturpação | Enganar o usuário sobre quem anuncia, o que oferece ou quanto custa | Ocultar a identidade ou usar nome que não identifica a empresa; não informar custos totais; prometer resultado improvável como provável; anunciar oferta que não existe no destino |
| Abuso da rede de publicidade | Tentar burlar os sistemas e processos de revisão do Google | Software malicioso, sites comprometidos, conteúdo evasivo, vantagem injusta e fraude de sistema |
| Fraude de sistema (dentro do abuso) | Contornar decisões do Google com outras contas ou sites | Criar conta nova para voltar a anunciar após uma suspensão; criar sites ou contas para exibir anúncios parecidos com os já reprovados |
| Requisitos de destino | A página para onde o anúncio leva | Site fora do ar, em construção, bloqueado ao rastreador ou com domínio diferente do anunciado |
Google Ads, Central de Ajuda de Políticas: páginas de Deturpação, Abuso da rede de publicidade, Fraude de sistema e Requisitos de destino, consultadas em 18/10/2026.
O detalhe que mais assusta está na gravidade. Pela política, duas subcategorias de deturpação (práticas comerciais inaceitáveis e práticas enganosas coordenadas) e duas de abuso da rede (software malicioso e fraude de sistema) são tratadas como infrações graves, com suspensão imediata e sem aviso prévio. Os requisitos de destino, ao contrário, não geram suspensão imediata: o anúncio é reprovado e o Google avisa com pelo menos sete dias de antecedência antes de qualquer suspensão.
Abrir outra conta para escapar de uma suspensão não resolve o problema: pela regra do Google, é uma nova infração grave.
Como passar pela verificação do anunciante?
A verificação do anunciante é o processo em que o Google confirma a identidade e, em alguns casos, as operações comerciais de quem anuncia. A Central de Ajuda diz que todos os anunciantes vão precisar passar por ela e lista situações em que ela é pedida mais cedo: anúncios em setores como serviços financeiros, comportamento ou conteúdo considerado suspeito, anúncios em buscas por marcas e uso de recursos que costumam ser mal utilizados.
Na prática, quase todo bloqueio de verificação nasce de uma divergência entre três lugares: o documento da empresa, o perfil de pagamentos e as respostas dadas ao Google sobre o negócio. A documentação diz que respostas incompletas, incorretas ou inconsistentes com os documentos são um problema comum, e que informação falsa anula a verificação e pode levar à suspensão.
- Confira se o nome no perfil de pagamentos é idêntico ao do documento da empresa, letra por letra.
- Separe o documento antes da notificação chegar e confira a validade.
- Responda às perguntas sobre o negócio com as mesmas informações que estão no site e no documento.
- Anote o prazo que aparece na notificação: ele é o seu, e não há um número fixo para todos.
- Depois de enviar, espere até 5 dias úteis pela atualização do status antes de reenviar qualquer coisa.
Há também o efeito colateral de mudanças. Segundo a mesma página, trocar o nome civil no perfil de faturamento exige nova verificação imediatamente, assim como fusões e mudanças de nome da organização; mudanças significativas no perfil para pagamentos também podem disparar uma nova rodada. Quem vai fazer uma alteração societária deve planejar a verificação junto, e não descobrir depois que a conta parou.
Depois de verificada, parte das informações passa a aparecer nas declarações dos anúncios e na Central de transparência de anúncios do Google, como o histórico de alterações de nome. É mais um motivo para o nome estar correto desde o início.
O que fazer se o anúncio for reprovado ou a conta for suspensa?
Reprovação, pausa e suspensão são situações diferentes, com saídas diferentes. Confundir as três é o caminho mais rápido para piorar a situação.
| Situação | O que significa | O que fazer |
|---|---|---|
| Anúncio reprovado | Um anúncio violou uma política e não veicula; o resto da conta segue | Ler o aviso da política, corrigir o anúncio ou o destino, ou contestar a decisão; lembre que editar reinicia a revisão |
| Conta pausada para verificação | A conta para até a verificação do anunciante ser concluída | Concluir as tarefas da verificação dentro do prazo da notificação e aguardar até 5 dias úteis |
| Conta suspensa | Nenhum anúncio veicula; a conta fica em modo somente leitura | Concluir a verificação, se pedida, e enviar uma única contestação pelo aviso no topo da conta |
Google Ads, Central de Ajuda: “Sobre o processo de revisão de anúncios”, “Sobre a verificação do anunciante” e “Sobre as suspensões de conta”, consultadas em 18/10/2026.
A página oficial sobre suspensões descreve o que acontece e como reagir. Com a conta suspensa, todos os anúncios são interrompidos, mas você ainda acessa a conta e vê os relatórios. A contestação é feita pelo botão “Entre em contato” do aviso no topo da tela, explicando a situação em cada política violada e confirmando a identidade, se solicitado. A conta fica com o status “Contestação pendente” e a resposta chega por e-mail.
Dois cuidados valem mais do que qualquer modelo de texto de contestação. Primeiro, não abra outra conta: a política de fraude de sistema cita expressamente a criação de contas novas para voltar a anunciar após uma suspensão como infração grave. Segundo, não dispare contestações em série: o Google avisa que o uso indevido pode suspender o processamento por 7 dias. A própria página diz que contas só são restabelecidas em circunstâncias convincentes, como um erro do Google, então a contestação precisa ser honesta, específica e com a correção já feita.
A página de suspensões também lista motivos que não têm a ver com o anúncio em si: atividade de pagamento suspeita, pedido de estorno, abuso de código promocional e saldo não pago. Por isso, a forma de pagamento deve estar em nome de quem anuncia, e qualquer contestação de cobrança vale ser resolvida com o Google antes de ir ao banco.
Quanto custa anunciar no Google?
Não existe tabela de preço. Na campanha de Pesquisa, você paga quando alguém clica no anúncio, e o valor do clique sai de um leilão que considera o seu lance, a qualidade do anúncio e o que os concorrentes estão dispostos a pagar pela mesma busca. Explicamos esse mecanismo no artigo sobre quem define o custo por clique no Google Ads.
O que você controla é o orçamento. Ele é definido por campanha, como média diária, e o Google documenta duas regras que pegam iniciantes de surpresa: em um dia, a campanha pode gastar até duas vezes o orçamento diário médio para aproveitar variações de tráfego; e, no fim do mês, o gasto fica abaixo de 30,4 vezes o orçamento diário médio. Ou seja, o limite que vale de verdade é o mensal.
Quanto colocar depende do custo do clique no seu setor, da taxa de conversão do site e do valor de um cliente. O cálculo, com método e sem chute, está no guia de quanto investir em tráfego pago.
Dá para anunciar no Google de graça ou sem site?
Anúncio no Google Ads é pago. O que existe de gratuito é o Perfil da Empresa no Google: o próprio Google diz que criar o perfil e mostrar o negócio no Google não tem custo financeiro. Ele não é anúncio, mas faz a empresa aparecer na Pesquisa e no Maps com horário de funcionamento, dados de contato, fotos e avaliações, e costuma ser o primeiro passo de quem atende localmente.
Sem site, o caminho fica mais estreito. O cadastro do Google Ads pede o URL da empresa, e o guia de campanhas inteligentes pede o site na configuração. A documentação técnica do Google Ads prevê, nas campanhas inteligentes, uma página de destino gerada com as informações do Perfil da Empresa. Funciona para começar, mas limita a mensagem e a medição. Para campanha que precisa gerar contato qualificado, uma página própria, rápida e clara sobre quem é a empresa continua sendo o investimento que mais protege a verba e a aprovação.
Anunciar no Google ou no Instagram?
Depende de onde está a demanda. O Google é forte quando o cliente já procura a solução: ele digita o problema e o anúncio aparece na hora da busca. O Instagram, pelo Meta Ads, é forte quando o cliente ainda não procura, e o anúncio precisa criar o interesse dentro do feed. Uma empresa de manutenção urgente vive de busca; uma marca de moda nova depende de descoberta.
Para quem tem orçamento curto, a regra prática é começar onde a intenção já existe e medir antes de abrir a segunda frente. Com as duas plataformas rodando, o que decide a divisão da verba é o custo por cliente de cada uma, não o alcance. Detalhamos as particularidades do outro lado no artigo sobre o orçamento que o Meta Ads cobra na fase de aprendizado.
Quais erros mais comuns de quem anuncia no Google sozinho?
- Nome diferente em cada lugar: nome fantasia no anúncio, razão social no documento e o nome de um sócio no cartão. É o atalho para a verificação travar.
- Prometer no anúncio o que a página não mostra: preço, prazo ou condição que não aparecem no destino entram na política de deturpação.
- Página em construção ou lenta: destino que não funciona é reprovado, e o anúncio para mesmo com tudo certo na campanha.
- Abrir conta nova depois de um bloqueio: transforma um problema contestável em infração grave de fraude de sistema.
- Editar o anúncio o tempo todo: cada alteração reinicia a revisão e atrasa a veiculação.
- Publicar sem medir conversão: sem a tag, não há como saber se o clique virou cliente, e o orçamento vira aposta.
Nenhum desses erros exige má-fé. Eles nascem da pressa de colocar o anúncio no ar e da ideia de que a parte difícil é a palavra-chave. Para a empresa que está começando, a parte difícil é chegar ao leilão com a conta em ordem.
Por isso, anunciar no Google vale a pena quando três condições se encontram: existe gente buscando o que você vende, a página de destino converte a visita em contato e a conta está em ordem para veicular sem interrupção. Se a busca pelo seu produto é pequena, o Google entrega pouco volume; se o site não converte, entrega cliques caros; se a conta trava, entrega nada.
O que o relatório do Google mostra é que a terceira condição, a menos discutida, é a que mais derruba empresas no Brasil: 1,3 milhão de contas suspensas em um ano é um número grande demais para ser tratado como detalhe do processo.
Por onde começar hoje?
Antes de abrir a conta, alinhe nome, documento e perfil de pagamentos; deixe o site funcionando, claro e coerente com o que o anúncio vai prometer; e leia as políticas de deturpação e de requisitos de destino, que são as que mais atingem a empresa comum. Só então siga o passo a passo da campanha, começando pela Pesquisa e com a medição de conversões instalada.
Se a conta já existe e travou, não abra outra: conclua a verificação, corrija a causa e envie uma contestação por vez. E, se a decisão for terceirizar a operação para focar no negócio, o serviço de gestão de tráfego pago da Alliance cuida da conta desde a verificação até a leitura do resultado.
Quer saber se a sua empresa está pronta para investir em mídia, ou se o gargalo está antes, no site, na marca ou na medição? O diagnóstico de marketing gratuito da Alliance avalia a maturidade em cada dimensão e aponta por onde começar.

