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NPS (Net Promoter Score): a sua nota é boa para o seu setor?

Calcular o NPS é fácil; saber se a nota é boa, não. Veja o benchmark por setor no Brasil e quantas respostas a pesquisa precisa para o número valer.

Resposta rápida

NPS (Net Promoter Score) é a métrica que pergunta ao cliente, de 0 a 10, o quanto ele recomendaria a empresa, e subtrai a porcentagem de detratores (0 a 6) da de promotores (9 e 10). Se a sua nota é boa depende do setor: no Prêmio Voz do Cliente 2026 da Opinion Box, os seis segmentos mais bem avaliados do país ficaram entre 71 e 75, enquanto as marcas do topo chegaram a 89. E depende da amostra: com 100 respostas, um NPS 30 tem margem de erro de cerca de 15 pontos para cima ou para baixo. Compare com o seu setor e só leia variação maior que a margem.

Calcular o NPS leva um minuto. O difícil vem depois, quando a planilha devolve um número — 42, digamos — e alguém na reunião pergunta: "isso é bom?". A maioria dos guias responde com faixas genéricas ("acima de 50 é excelente") que valem para qualquer empresa e, por isso mesmo, não dizem nada sobre a sua.

Duas perguntas decidem se o NPS serve para alguma coisa: com quem a nota deve ser comparada e quantas respostas ela precisa para não ser ruído. Este artigo responde às duas, com o benchmark setorial brasileiro que os rankings costumam esconder atrás de formulário e com a conta de amostra aberta.

O que é NPS e como ele é calculado?

NPS, de Net Promoter Score, é uma métrica de lealdade baseada em uma única pergunta: "De 0 a 10, o quanto você recomendaria [empresa] a um amigo ou colega?". As respostas se dividem em três grupos. Quem dá 9 ou 10 é promotor; quem dá 7 ou 8 é neutro; quem dá de 0 a 6 é detrator.

O cálculo ignora os neutros: NPS = % de promotores − % de detratores. O resultado vai de −100 (todos detratores) a +100 (todos promotores) e é expresso sem o sinal de porcentagem. Com 200 respostas, sendo 110 promotores, 50 neutros e 40 detratores, o NPS é 55% − 20% = 35.

A métrica foi apresentada por Fred Reichheld no artigo The One Number You Need to Grow, publicado na Harvard Business Review em 2003, e se popularizou porque é simples de perguntar, simples de calcular e fácil de acompanhar ao longo do tempo. A simplicidade é a força do NPS e também a origem dos seus erros de leitura.

Qual NPS é considerado bom?

A resposta curta é: o que está acima do seu setor e acima da sua própria nota anterior — desde que a diferença seja maior que a margem de erro. As faixas genéricas que circulam (zona crítica abaixo de zero, aperfeiçoamento até 50, qualidade até 75, excelência acima disso) são úteis como vocabulário, mas tratam igual uma operadora de telefonia e uma marca de chocolate, e o cliente não avalia as duas com a mesma régua.

Setores em que o cliente depende do serviço, enfrenta fila, contrato ou cobrança tendem a ter notas menores do que setores de compra por prazer. Uma nota 40 pode ser excelente em um e mediana em outro. Por isso a comparação útil é com o próprio segmento — e esse número existe no Brasil.

Qual é o NPS médio por setor no Brasil?

O Prêmio Voz do Cliente 2026 da Opinion Box, em sua 6ª edição, avaliou mais de 640 marcas em 50 segmentos a partir de mais de 590 mil avaliações de consumidores, pela metodologia NPS. No ranking de segmentos publicado na página do estudo, os mais bem avaliados foram decoração e utilidades para o lar (75), material escolar e de escritório (74), moda infantil e moda íntima (73), e roupas e calçados esportivos e eletrodomésticos (71). No ranking de marcas, o topo foi Lindt (89), The North Face (86), Baggio Café e MAC (85) e Vichy (84).
Fonte: Opinion Box, Prêmio Voz do Cliente 2026 — ranking de NPS por segmento e por marca, consultado em setembro de 2026
Gráfico de barras com o NPS dos seis segmentos mais bem avaliados no Prêmio Voz do Cliente 2026, entre 71 e 75, e das cinco marcas do topo do ranking, entre 84 e 89
Os seis melhores segmentos entre 50 ficaram entre 71 e 75. As marcas do topo passam de 84.

Três leituras saem desses números. A primeira: mesmo os melhores segmentos do país ficaram na casa dos 70. Os outros 44 segmentos do estudo ficaram abaixo disso — a página destaca apenas o topo. Quem mira 80 porque leu que "acima de 75 é excelência" está mirando acima do melhor setor do Brasil.

A segunda: nota de marca não é nota de setor. A The North Face aparece com 86 no ranking de marcas; o segmento dela, roupas e calçados esportivos, com 71. É um erro comum pegar a nota de uma marca famosa e transformá-la em meta. As notas de Nubank, Apple ou Amazon que circulam em blogs, muitas vezes sem fonte nem data, dizem algo sobre essas marcas, não sobre o que é realista para o seu negócio.

A terceira: o ranking mede a percepção de consumidores sobre marcas conhecidas, com a metodologia e o público da Opinion Box. A sua pesquisa, feita com a sua base, sob o seu momento de envio, não é diretamente a mesma medida. Use o benchmark como ordem de grandeza — "meu setor vive na casa dos 70" —, não como número a bater ponto a ponto. A página também não informa o período de coleta, então não dá para cravar a que meses a nota se refere.

Quantas respostas o NPS precisa para valer algo?

Esta é a pergunta que quase nenhum guia responde, embora vários citem "amostragem" como um desafio. O NPS é uma estimativa: você ouviu parte dos clientes e está inferindo o que todos pensam. Toda estimativa tem margem de erro, e a do NPS é maior do que a de uma porcentagem simples, porque ela combina duas proporções.

A conta cabe numa calculadora. Trate cada resposta como +1 (promotor), 0 (neutro) ou −1 (detrator). A variância dessa escala é (%P + %D) − (%P − %D)², com as porcentagens em fração. A margem de erro com 95% de confiança é 1,96 × a raiz dessa variância ÷ a raiz do número de respostas, vezes 100 para voltar à escala do NPS.

Tabela da margem de erro do NPS por número de respostas: cerca de 22 pontos com 50 respostas, 15 com 100, 11 com 200, 8 com 400 e 5 com 1.000, para um NPS 30
Cálculo da Alliance para 50% de promotores e 20% de detratores, com 95% de confiança.

Com 100 respostas, um NPS 30 pode estar em qualquer ponto entre 15 e 45. Se no trimestre seguinte a nota vai para 38, nada mudou de verdade: a diferença cabe na margem. Para enxergar uma variação de 5 pontos com segurança, o cenário da tabela pede perto de mil respostas em cada período. Para uma variação de 10 pontos, algo em torno de 250.

Duas ressalvas. A margem vale para uma amostra aleatória; se só respondem os clientes muito satisfeitos ou muito irritados, o erro é de viés, e nenhuma fórmula corrige. E base pequena não é desculpa para não medir: uma empresa B2B com 60 clientes deve perguntar a todos — aí não há amostra, há censo, e o que importa é a taxa de resposta.

Qual a diferença entre NPS, CSAT e CES?

MétricaO que perguntaQuando usar
NPSO quanto recomendaria a empresa (0 a 10)Relação com a marca como um todo, acompanhada por trimestre ou semestre
CSATO quanto ficou satisfeito com uma interação (1 a 5)Logo após um atendimento, uma entrega ou uma compra
CESO quanto foi fácil resolver o que precisavaProcessos de suporte, cadastro, troca, cancelamento
eNPSO quanto o funcionário recomendaria a empresa para trabalharClima interno, na mesma lógica do NPS, com público de colaboradores

As três se complementam. O NPS diz se a relação vai bem; o CSAT e o CES apontam em que momento ela se desgasta. Uma empresa com NPS em queda e CES ruim no suporte já sabe por onde começar a investigar.

Como fazer a pesquisa de NPS na prática?

1. Separe o NPS relacional do transacional

O relacional é enviado periodicamente para a base de clientes e mede a relação como um todo. O transacional vai logo depois de um evento — compra, entrega, atendimento. Os dois têm valor, mas não se comparam entre si, e misturar os dois num único número é a forma mais comum de produzir uma média que não significa nada.

2. Escolha o canal pelo lugar onde o cliente conversa com você

E-mail funciona para quem já recebe comunicação por e-mail; WhatsApp tende a funcionar melhor no varejo e em serviços ao consumidor no Brasil, porque é onde a conversa já acontece. O importante é não trocar de canal no meio da série histórica: canal diferente muda quem responde, e a nota muda junto, sem que a experiência tenha mudado.

3. Cuide da base legal antes de disparar

Pesquisa de satisfação usa dados pessoais de contato e, sob a LGPD, precisa de uma base legal. Para clientes ativos, o legítimo interesse costuma ser o caminho, com aviso claro no primeiro contato, opção de não receber mais e sem uso das respostas para outra finalidade que não foi informada. Vale alinhar com o jurídico ou com o encarregado de dados antes do primeiro envio, principalmente em WhatsApp, onde a política da plataforma também exige que o contato tenha aceitado receber mensagens.

4. Sempre inclua a pergunta aberta

"Qual o principal motivo da sua nota?" é a pergunta que transforma o número em ação. Sem ela, o NPS diz que algo está errado, mas não diz o quê. Categorize os comentários (preço, prazo, atendimento, produto) e acompanhe a frequência de cada tema junto com a nota.

5. Feche o ciclo com os detratores

Detrator que recebe resposta em poucos dias é uma chance de recuperar o cliente e de entender a falha. Detrator ignorado é o cliente que vai contar a experiência para outras pessoas. Defina quem responde, em quanto tempo e o que pode oferecer.

Quais os erros mais comuns ao usar o NPS?

  • Comparar com a nota de uma marca famosa. O referencial é o seu segmento, não o campeão do ranking.
  • Comemorar variação menor que a margem de erro. Com 100 respostas, 8 pontos para cima podem ser só acaso.
  • Pedir nota alta. "Responda 10 se gostou" contamina a métrica e a torna inútil para decisão.
  • Misturar relacional e transacional. São perguntas feitas em momentos diferentes, para públicos diferentes.
  • Vincular bônus da equipe ao NPS sem cuidado. A pressão costuma melhorar a nota antes de melhorar a experiência.
  • Medir e não agir. Pesquisa que não gera mudança ensina o cliente a não responder mais.

Como melhorar o NPS da empresa?

Melhorar o NPS é consequência de melhorar a experiência, não de trabalhar a pesquisa. O caminho mais curto costuma começar pelos detratores: leia os comentários, agrupe por causa e ataque primeiro a causa mais frequente que estiver ao alcance da empresa. Converter parte dos detratores em neutros já sobe a nota, porque o detrator pesa negativamente e o neutro não entra na conta.

Em seguida, olhe para os momentos da jornada em que a experiência quebra — a entrega, a cobrança, o suporte. É nesses pontos que CSAT e CES ajudam a localizar a falha. E cuidado com a tentação de automatizar tudo: parte da experiência depende de gente, como discutimos em onde não automatizar a experiência do cliente.

O que muda no NPS por tipo de negócio?

Tipo de negócioComo medirCuidado principal
Varejo e consumoTransacional após a compra ou a entrega, e relacional semestralVolume alto: aproveite para segmentar por loja, região e canal
Serviços por assinaturaRelacional trimestral e transacional no suporteCruze a nota com o cancelamento para ver se o detrator de fato sai
B2BRelacional com todos os contatos relevantes de cada contaBase pequena: busque taxa de resposta alta e ouça decisor e usuário
Saúde, educação e serviços contínuosTransacional por etapa do atendimentoSepare a nota do serviço da nota da cobrança ou do agendamento

Por onde começar hoje

  1. Descubra em qual dos 50 segmentos a sua empresa se encaixa e anote a ordem de grandeza do setor.
  2. Calcule a margem de erro da sua última pesquisa com a fórmula deste artigo.
  3. Defina o número de respostas por período necessário para enxergar a variação que importa para você.
  4. Separe relacional de transacional e fixe o canal de envio.
  5. Inclua a pergunta aberta e crie a rotina de retorno aos detratores.

O NPS é uma das peças da dimensão de experiência e retenção que o diagnóstico gratuito de marketing avalia junto com as demais áreas. E o desenho de pesquisas, jornadas e pontos de contato está na página de experiência e trade marketing da Alliance.

NPSExperiência do clienteBenchmarkPesquisa

Perguntas frequentes

O que é NPS de uma empresa?+

É o Net Promoter Score, a diferença entre a porcentagem de clientes promotores (notas 9 e 10) e a de detratores (0 a 6) na pergunta sobre o quanto recomendariam a empresa. Vai de −100 a +100.

Como o NPS é calculado?+

Subtraia a porcentagem de detratores da porcentagem de promotores. Os neutros, que dão 7 ou 8, não entram na conta. Com 55% de promotores e 20% de detratores, o NPS é 35.

Qual NPS é considerado bom?+

O que está acima da média do seu setor e da sua própria nota anterior, com diferença maior que a margem de erro. No Prêmio Voz do Cliente 2026, os melhores segmentos do Brasil ficaram entre 71 e 75.

Qual é o NPS ideal?+

Não existe um número ideal para todas as empresas. Setores de compra por prazer tendem a ter notas mais altas que setores de serviço contínuo. O ideal é superar o seu segmento e manter a tendência de alta.

Quantas respostas uma pesquisa de NPS precisa?+

Depende da precisão desejada. Para um NPS 30, 100 respostas dão margem de cerca de 15 pontos; 400 dão cerca de 8; e perto de mil dão cerca de 5. Em base pequena, pergunte a todos os clientes.

O que é NPS e CSAT?+

O NPS mede a disposição de recomendar a empresa, e reflete a relação como um todo. O CSAT mede a satisfação com uma interação específica, como um atendimento ou uma entrega. Um complementa o outro.

Por que um NPS baixo pode representar risco para a empresa?+

Porque detratores tendem a comprar menos, cancelar mais e falar mal da marca para outras pessoas. Um NPS abaixo do setor indica que a concorrência está entregando uma experiência melhor.

O que é NPS interno (eNPS)?+

É a mesma lógica aplicada a colaboradores: o quanto recomendariam a empresa como lugar para trabalhar. Serve para acompanhar clima e retenção de talentos, e não deve ser comparado com o NPS de clientes.

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