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Tecnologia

Segurança da informação: o ataque não escolheu a sua empresa

Oito em cada dez incidentes notificados no Brasil são varredura automática. O ataque não escolhe a empresa: acha a porta aberta. E o prazo da ANPD é curto.

Resposta rápida

Segurança da informação é o conjunto de práticas que protege os dados e os sistemas de uma organização contra acesso, alteração e indisponibilidade indevidos. A objeção mais comum em empresas pequenas — "somos pequenos demais para ser alvo" — não sobrevive aos números oficiais brasileiros: a maior parte do que se notifica ao CERT.br é varredura automática, feita por robôs que percorrem faixas inteiras de endereços procurando falha conhecida. Eles não sabem o nome da empresa. Encontram a porta aberta, e é isso.

Quase todo material sobre segurança para empresas pequenas repete a mesma lista: antivírus, senha forte, backup, treinamento. A lista está certa. O problema é a premissa que ela não enfrenta — a de que ataque é coisa de quem tem algo a ser roubado.

Os números oficiais brasileiros desmontam essa premissa de forma direta, e vale começar por eles.

O que os dados brasileiros mostram sobre ataques?

O CERT.br recebeu 470.885 notificações de incidentes de segurança em 2025. Delas, 83,66% foram varreduras (scan), 5,61% negação de serviço, 5,10% fraude, 4,24% ataques a servidores web e 0,79% invasões.
Fonte: CERT.br / NIC.br, Estatísticas de Incidentes Notificados, janeiro a dezembro de 2025
Diagrama com quatro cartões mostrando a distribuição dos 470.885 incidentes notificados ao CERT.br em 2025: 83,66% varreduras, 5,61% negação de serviço, 5,10% fraude e 0,79% invasões
Oito em cada dez notificações são robôs procurando porta aberta. Eles não sabem o nome da sua empresa.

Varredura é reconhecimento automatizado: um programa percorre faixas de endereços IP testando portas e versões de software em busca de falha conhecida. Não há seleção de alvo. Há apenas a lista do que respondeu.

Isso muda a pergunta de segurança. Deixa de ser "por que alguém atacaria a minha empresa?" e passa a ser "o que na minha infraestrutura responde a um teste automático de falha conhecida?" — que é uma pergunta técnica, respondível e barata.

Por que a invasão aparece com número tão baixo?

Porque invasão é o fim da linha, não o começo. As 3.729 notificações de invasão de 2025 são o desfecho de uma cadeia que começou em uma das 393.919 varreduras — e que só foi adiante onde havia algo desatualizado, exposto ou com credencial fraca.

A leitura útil é essa: a maior parte do esforço de defesa deve ficar na etapa mais barata, que é fechar o que a varredura procura. Investir em resposta sofisticada sem ter feito isso é comprar alarme para uma casa com a porta escancarada.

Como proteger o site e os sistemas da empresa?

Existe uma ordem, e ela importa mais que a lista. As três primeiras medidas resolvem a maior parte do que a varredura encontra.

1. Atualizar o que está exposto à internet

Site, CMS, plugins, painel administrativo, servidor de e-mail, VPN. A varredura procura versão com falha pública documentada; software atualizado deixa de aparecer na lista. É a medida de maior efeito e menor custo.

2. Autenticação em dois fatores em tudo que é administrativo

Painel do site, provedor de e-mail, gerenciador de domínio, contas de nuvem e acesso remoto. Senha vazada em outro serviço é matéria-prima de ataque automatizado; o segundo fator quebra a cadeia mesmo com a senha correta em mãos.

3. Backup com restauração testada

Backup que nunca foi restaurado é hipótese, não proteção. A regra prática é manter três cópias, em duas mídias diferentes, com uma delas fora do ambiente — e testar a restauração em calendário, não quando precisar.

O que fazer nas primeiras horas de um incidente?

A diferença entre um incidente caro e um incidente controlado costuma estar nas primeiras horas, e nem sempre na parte técnica.

  1. Conter: isolar o sistema afetado da rede, sem desligar, para não destruir evidência em memória.
  2. Preservar: guardar registros de acesso e log antes que a rotação automática os apague. É o que permite saber depois o que saiu.
  3. Trocar credenciais: senhas administrativas, chaves de API e tokens de integração, começando pelas de e-mail e domínio.
  4. Avaliar o alcance: quais dados foram acessados, de quantas pessoas, e se há dado pessoal envolvido.
  5. Comunicar: à direção, aos titulares afetados e à autoridade, dentro do prazo legal.

O item 2 é o que mais se perde. Desligar a máquina no susto é a reação natural e é a que apaga a informação de que a investigação precisa.

Qual o prazo para comunicar vazamento de dados no Brasil?

Curto, e conta a partir da ciência do incidente — não do fim da investigação.

A comunicação de incidente de segurança com dados pessoais à ANPD e aos titulares deve ser feita pelo controlador no prazo de três dias úteis, ressalvada a existência de prazo previsto em legislação específica.
Fonte: ANPD, Resolução CD/ANPD nº 15, de 24 de abril de 2024
Diagrama com três cartões descrevendo a linha do tempo de resposta a incidente: conter na hora zero, avaliar risco no primeiro dia e comunicar ANPD e titulares em três dias úteis conforme a Resolução 15/2024
O prazo da ANPD começa a correr na descoberta, não quando a área jurídica termina de discutir.

Três dias úteis é pouco para descobrir quem responde pelo quê no meio de uma crise. Por isso a preparação que mais reduz risco jurídico não é técnica: é ter escrito, antes, quem decide, quem redige a comunicação e quem fala com a autoridade.

Qual a diferença entre segurança da informação e LGPD?

São duas conversas diferentes que se cruzam num ponto só, e confundi-las produz projetos caros que não protegem nada.

Segurança da informação trata de qualquer dado relevante para o negócio: contrato, projeto, base de preços, código-fonte, e-mail da diretoria. O objetivo é manter confidencialidade, integridade e disponibilidade. Nada disso depende de haver dado pessoal envolvido.

A LGPD trata especificamente de dado pessoal — o que identifica ou torna identificável uma pessoa. Ela exige medidas de segurança, mas exige também outras coisas que segurança nenhuma resolve: base legal para cada uso, finalidade declarada, direito de acesso e exclusão.

O ponto de cruzamento é o incidente. Quando um evento de segurança atinge dado pessoal, ele deixa de ser assunto exclusivo da TI e passa a ter prazo, autoridade e obrigação de comunicar. É por isso que o plano de resposta precisa ter jurídico e comunicação dentro dele, e não apenas infraestrutura.

Quem responde pela segurança quando tudo é terceirizado?

Empresas médias raramente têm equipe própria de infraestrutura. O site está com uma agência, o e-mail com um provedor, o ERP com um fornecedor, o domínio registrado no nome de alguém que talvez não trabalhe mais lá.

A terceirização distribui a execução, não a responsabilidade. Perante o titular do dado e perante a autoridade, quem responde é a empresa que decide sobre o tratamento. Na prática, isso significa três providências simples e frequentemente ignoradas.

A primeira é ter, por escrito, quem administra o quê — inclusive o registro do domínio, que costuma ser o ativo mais crítico e o menos controlado. A segunda é exigir do fornecedor a obrigação de comunicar incidente à contratante em prazo compatível com os três dias úteis da norma; sem essa cláusula, a empresa descobre depois do prazo. A terceira é encerrar acessos quando o contrato termina, com a mesma disciplina do desligamento de um funcionário.

Quanto custa segurança da informação para uma empresa média?

Menos do que a maioria supõe na primeira camada, porque boa parte do que resolve já está contratada e não está configurada.

CamadaO que entraCusto típico
Configuração do que já existe2FA, revisão de acessos, atualização, SPF/DKIM/DMARCHoras de trabalho, sem licença nova
Higiene contínuaGestão de senhas, atualização programada, backup testadoMensalidade baixa por usuário
MonitoramentoRegistro centralizado, alerta de indisponibilidade e de alteraçãoMensalidade média, cresce com o ambiente
Resposta e continuidadePlano escrito, responsáveis nomeados, simulado anualProjeto pontual, revisado por ano

Quadro elaborado pela Alliance Comunicação a partir da estrutura típica de projetos de infraestrutura e segurança.

A primeira linha é a que mais devolve por real investido, e é a que costuma ser pulada — porque não gera contrato recorrente nem tem apelo comercial. É trabalho de configuração, e é onde a varredura para.

Quais os erros mais comuns em empresas pequenas e médias?

  • Achar que porte protege. A varredura é indiscriminada; ela testa endereço, não tamanho de empresa.
  • Deixar acesso de ex-fornecedor ativo. Agência antiga, freelancer, consultoria encerrada — cada um costuma ficar com uma chave viva.
  • Confundir backup com sincronização. Pasta sincronizada replica o arquivo criptografado por ransomware em segundos.
  • Não ter dono do domínio identificado. Perder o domínio custa mais caro e demora mais que recuperar um servidor.
  • Tratar LGPD como documento. Política de privacidade publicada não substitui o plano de resposta que o prazo de três dias exige.

Como medir se a segurança está melhorando?

Segurança é difícil de medir por ausência de incidente — não ter sido atacado pode ser resultado de trabalho ou de sorte. Quatro indicadores dão sinal antes do incidente.

  • Tempo de correção. Quantos dias entre a publicação de uma correção crítica e a aplicação nos sistemas expostos.
  • Cobertura de 2FA. Percentual de contas administrativas com segundo fator ativo — a meta é 100%, sem exceção de diretoria.
  • Restaurações testadas. Quantas vezes no ano o backup foi efetivamente restaurado em ambiente de teste.
  • Acessos revisados. Percentual de contas revisadas no último trimestre, com desligamento efetivo de quem saiu.

Nenhum desses quatro exige ferramenta cara. Exigem rotina e responsável — que é, no fim, o que separa empresa preparada de empresa com sorte.

Por onde começar hoje?

Faça o inventário do que está exposto à internet e de quem tem acesso administrativo a cada item. Uma planilha com quatro colunas — o que é, quem administra, está atualizado, tem 2FA — já entrega a maior parte do diagnóstico.

Depois escreva o plano de resposta em uma página: quem decide, quem redige, quem comunica e em que prazo. É o documento que vale mais no dia em que os três dias úteis começarem a correr.

Na Alliance, a frente de tech & security começa por esse inventário e pela configuração do que já existe, antes de propor qualquer ferramenta nova. Se o assunto é a adequação à lei e não a infraestrutura, vale ler o que a lei já manda no relógio de uma crise. E se a dúvida é por onde começar entre várias frentes, o diagnóstico gratuito ajuda a ordenar as prioridades.

Segurança da informaçãoCERT.brLGPDIncidente

Perguntas frequentes

Empresa pequena é alvo de ataque hacker?+

Sim, mas quase nunca por escolha. A maior parte do que se notifica ao CERT.br é varredura automática, que percorre faixas de endereços procurando falha conhecida sem saber de quem é o servidor. O critério não é o tamanho da empresa: é o que responde ao teste.

Como proteger o site da minha empresa?+

Comece por três coisas, nesta ordem: manter atualizado tudo que está exposto à internet, ativar autenticação em dois fatores em todos os acessos administrativos e manter backup com restauração testada. Essas três medidas fecham a maior parte do que a varredura automatizada procura.

Meu site foi invadido, o que fazer?+

Isole o sistema da rede sem desligar, para preservar a evidência que está em memória. Guarde os registros de acesso antes que a rotação automática os apague e troque as credenciais administrativas, de e-mail e de domínio. Em seguida avalie se há dado pessoal envolvido, porque isso ativa o prazo legal de comunicação à ANPD.

Preciso avisar a ANPD se vazarem dados da minha empresa?+

Sim, quando houver dado pessoal envolvido e risco relevante aos titulares. A Resolução CD/ANPD nº 15/2024 estabelece prazo de três dias úteis para comunicar à autoridade e aos titulares, ressalvado prazo previsto em legislação específica.

Qual o prazo para comunicar um vazamento de dados?+

Três dias úteis, contados a partir da ciência do incidente — não do término da investigação. Por isso o plano de resposta precisa estar escrito antes: descobrir quem decide e quem comunica no meio da crise consome exatamente o prazo disponível.

Com que frequência fazer backup?+

A frequência deve corresponder ao quanto de trabalho a empresa aceita perder. Se perder um dia é inaceitável, o backup é diário; se perder uma hora é inaceitável, é horário. Mais importante que a frequência é testar a restauração em calendário fixo.

Quanto custa segurança da informação?+

A primeira camada custa horas de trabalho, não licença: configurar o segundo fator, revisar acessos, programar atualizações e ajustar a autenticação de e-mail. Monitoramento e plano de resposta vêm depois, e é razoável decidir sobre eles só quando a primeira camada estiver fechada.

O que é uma política de segurança da informação?+

É o documento que define o que é permitido, quem responde por cada sistema e o que fazer quando algo dá errado. Vale pouco se for genérico: a parte que produz efeito é a lista de responsáveis nomeados e o procedimento de resposta a incidente.

Antivírus é suficiente para proteger a empresa?+

Não. O antivírus atua na estação de trabalho, e a maior parte do que a varredura automatizada encontra está no que está exposto à internet — site desatualizado, painel sem segundo fator, serviço aberto. São camadas diferentes e nenhuma substitui a outra.

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