Procure quanto custa criar um site e você vai encontrar faixas: de R$ 1.500 a R$ 5.000, de R$ 5.000 a R$ 15.000, de R$ 20 mil para cima. São números plausíveis e são inúteis, porque nenhum deles diz a que escopo corresponde.
Pior: parte desses conteúdos apresenta estatísticas sem nenhuma fonte — um dos primeiros colocados afirma que "aproximadamente 68% das pequenas empresas" fazem algo, sem dizer quem mediu, quando e onde. Outro é a página de uma plataforma que vende o próprio construtor de sites. Este artigo tenta fazer o contrário: dizer o que move o preço, e trazer o único número sobre o assunto que tem origem verificável.
Quantas empresas brasileiras têm site?
Antes de discutir preço, vale saber onde o país está. O Cetic.br, ligado ao NIC.br, mede isso há mais de uma década com metodologia estável, o que permite comparar ano a ano.
Esse número diz algo sobre preço, ainda que indiretamente. Quase metade das empresas não tem site não porque o mercado ficou caro — ele ficou mais barato —, mas porque o projeto trava antes de começar. E ele trava quase sempre no mesmo ponto: ninguém definiu o escopo, os orçamentos vieram incomparáveis entre si, e a decisão foi adiada.
O que define o preço de um site?
Quatro variáveis explicam a maior parte da diferença entre um orçamento e outro. Responda as quatro antes de pedir preço e você vai receber propostas comparáveis.
1. Escopo: páginas e modelos de tela
O que custa não é o número de páginas, é o número de modelos diferentes. Um site com quarenta páginas usando três modelos custa menos que um com oito páginas em que cada uma é desenhada do zero. Quando o fornecedor pergunta "quantas páginas?", a resposta útil é outra: quantos leiautes distintos você precisa.
2. Conteúdo: existe ou precisa ser produzido?
É aqui que os projetos atrasam, e o atraso vira custo. Texto de página de serviço, fotos próprias, descrição de produto, tradução — se nada disso existe, alguém precisa produzir, e esse alguém cobra. Muita proposta barata é barata porque assume que o cliente entrega o conteúdo pronto, o que quase nunca acontece.
3. Integrações: cada uma é um projeto dentro do projeto
Formulário que grava no CRM, pagamento, estoque no ERP, agendamento, área do cliente com login. Cada integração tem regra de negócio, tratamento de erro e teste próprios. É a variável que mais infla orçamento e a que mais some das conversas iniciais — em geral porque aparece só quando o site já está em construção.
4. Manutenção: o custo que não acaba na entrega
Hospedagem, domínio, certificado, atualização de plataforma, correção, ajuste de conteúdo, monitoramento. Um site não é uma compra, é uma assinatura com uma entrada alta. Orçamento que não separa investimento inicial de custo recorrente está escondendo metade da conta.
Plataforma pronta ou site sob medida?
As duas resolvem problemas diferentes, e a escolha errada custa nos dois sentidos: construtor quando era preciso integrar, ou desenvolvimento sob medida para um site de cinco páginas que ninguém vai mexer.
| Construtor pronto | Desenvolvimento sob medida |
|---|---|
| Entrada baixa, mensalidade fixa | Entrada alta, custo recorrente menor |
| Rápido para publicar | Semanas ou meses até o ar |
| Leiaute dentro do que o tema permite | Leiaute conforme a marca exige |
| Integrações limitadas ao que a plataforma oferece | Integra com o que existir |
| Sair da plataforma significa refazer | O código e o conteúdo são seus |
| Bom para institucional simples e validação | Bom para site que é canal de venda ou operação |
A pergunta que separa as duas não é orçamento: é tempo de vida. Se o site vai existir por dois anos sem mudar muito, a plataforma pronta ganha. Se ele é a porta de entrada comercial da empresa e vai evoluir todo trimestre, a conta se inverte por volta do segundo ano — pelo mesmo mecanismo que descrevemos em a conta que chega depois que o app no-code funciona.
Ninguém compra um site. Compra-se um escopo, e depois paga-se para mantê-lo vivo.
Por que dois orçamentos para o "mesmo" site variam tanto?
Porque não são o mesmo site. Quando o pedido chega sem escopo, cada fornecedor preenche as lacunas com a própria hipótese — e cobra por ela. Um assume que o cliente entrega texto e foto prontos; outro inclui produção de conteúdo. Um usa um tema pronto; outro desenha as telas. Um entrega o site publicado; outro inclui migração das URLs antigas e configuração de analytics.
Some-se a isso a margem de incerteza. Fornecedor sério que recebe um pedido vago precisa se proteger do retrabalho que provavelmente virá, e essa proteção entra no preço. É por isso que escopo bem definido costuma baratear a proposta, e não encarecê-la: você está comprando o mesmo trabalho sem pagar pelo risco de não ter combinado nada.
Existe ainda um terceiro fator, menos confortável: parte da variação é de posicionamento, não de escopo. Um estúdio que trabalha com marcas grandes cobra mais pela mesma entrega técnica porque entrega também processo, documentação e responsabilidade contratual. Nem sempre isso é necessário — mas é preciso saber que é isso que está sendo comparado.
Quanto custa manter um site no ar por mês?
A conta recorrente tem itens obrigatórios e itens que dependem do quanto o site trabalha. Vale listar os dois grupos antes de assinar qualquer proposta.
- Domínio. Anual, baixo, e o item que mais causa susto quando vence esquecido no cartão de alguém que saiu da empresa.
- Hospedagem. Varia com tráfego e com o tipo de aplicação; site institucional estático custa uma fração de um site com área logada.
- Certificado e segurança. Hoje quase sempre incluso, mas confira — e confira também se há backup automatizado com restauração testada.
- Atualização de plataforma e plugins. O item mais negligenciado e a principal porta de invasão em sites parados.
- Ajustes de conteúdo. Nova página de serviço, troca de foto, atualização de preço. Ou alguém interno faz, ou é hora contratada.
- Monitoramento e performance. Saber que o site caiu antes de o cliente avisar, e acompanhar as métricas de experiência de página que o Google documenta em Core Web Vitals.
O que costuma faltar no orçamento?
- Produção de conteúdo. Texto e foto raramente estão inclusos, e são o item que mais atrasa a entrega.
- Performance. Site lento derruba conversão e posição na busca; otimizar depois custa mais que fazer certo durante.
- Acessibilidade. Contraste, navegação por teclado, leitor de tela. Entra no escopo ou vira retrabalho e risco.
- Instrumentação. Analytics, eventos de conversão e integração com a mídia paga — sem isso o site não tem como provar que funciona.
- Migração e redirecionamentos. Trocar de site sem mapear as URLs antigas apaga anos de posicionamento em uma madrugada.
- Treinamento de quem vai atualizar. Site que só o fornecedor sabe mexer é um site que vai envelhecer.
O item da performance merece um parágrafo próprio porque é o que mais aparece como surpresa. Ele não é acabamento: muda a taxa de conversão do site inteiro, e o raciocínio está detalhado em o que muda no resultado quando a performance entra no escopo.
Quanto tempo leva para fazer um site?
O cronograma quase nunca é limitado pelo desenvolvimento. Ele é limitado por decisão e por conteúdo — que dependem do cliente, não do fornecedor.
| Etapa | O que costuma determinar a duração |
|---|---|
| Definição de escopo e arquitetura | Quantas pessoas precisam aprovar |
| Design das telas | Quantos modelos distintos, e quantas rodadas de revisão |
| Produção de conteúdo | Se existe alguém encarregado — é a etapa que mais estoura |
| Desenvolvimento | Número de integrações, não número de páginas |
| Testes e publicação | Migração de URLs e conferência em dispositivos |
O que muda por tipo de empresa?
| Tipo de empresa | Onde o orçamento se concentra |
|---|---|
| Comércio local | Poucas páginas, foco em endereço, horário e prova social. Construtor resolve |
| Serviço B2B | Páginas de serviço bem escritas e formulário integrado ao CRM |
| Indústria com catálogo | Estrutura de produtos e busca interna dominam o custo |
| E-commerce | Integração com estoque, pagamento e logística é a maior parte da conta |
| Empresa em rebranding | Migração e redirecionamento pesam tanto quanto o design novo |
Por onde começar hoje
- Liste quantos modelos de tela diferentes o site precisa — não quantas páginas.
- Inventarie o conteúdo que já existe e marque o que precisa ser produzido, com responsável.
- Liste os sistemas com que o site vai conversar, mesmo os que ficarão para depois.
- Defina quem vai atualizar o site e com que frequência — isso decide plataforma.
- Peça orçamento com esse documento em anexo e exija a separação entre investimento inicial e custo mensal.
Se quiser um retrato da presença digital da empresa antes de decidir o escopo, o diagnóstico gratuito de marketing avalia site, conteúdo e mensuração junto com as outras dimensões. E o processo de escopo, construção e evolução está descrito na página de desenvolvimento web.

